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Apitegromabe é aprovado nos EUA para atuar diretamente na perda muscular da AME

Isembyld foi autorizado para pacientes com AME e já é estudado como forma de preservar massa magra durante o emagrecimento.

Apitegromabe é aprovado nos EUA para atuar diretamente na perda muscular da AME

A aprovação do apitegromabe pela FDA, agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, pode ampliar o uso de terapias voltadas à preservação muscular. O medicamento foi autorizado para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME) e também está em avaliação para reduzir a perda de massa magra associada ao uso de canetas emagrecedoras.

Com o nome comercial Isembyld, o remédio é produzido pela farmacêutica Scholar Rock. Trata-se de um anticorpo monoclonal aplicado por injeção, desenvolvido para bloquear a ação da miostatina, proteína envolvida na degradação do músculo.

Como o remédio age

A miostatina limita o crescimento muscular ao reduzir a produção de proteínas, acelerar a degradação das estruturas já existentes e inibir células-tronco que participam da reparação e do desenvolvimento dos músculos. O apitegromabe se liga à forma inativa da proteína e impede que ela seja ativada.

A estratégia tenta reproduzir parcialmente o efeito observado em animais que nascem sem miostatina, como algumas raças de bois, que desenvolvem musculatura mais acentuada.

A AME é uma doença genética e rara que atinge cerca de 1 a cada 10 mil nascidos vivos e está entre as principais causas genéticas de morte na infância. O problema é provocado por uma alteração no gene SMN1, responsável pela produção de uma proteína essencial à sobrevivência dos neurônios motores.

Quando essa proteína está em falta, os neurônios motores deixam de funcionar progressivamente. Com menos estímulos nervosos, os músculos enfraquecem e atrofiam. O gene SMN2 produz uma versão defeituosa da proteína, e os tratamentos já existentes procuram corrigir esse defeito.

Resultados do estudo para AME

A autorização vale para adultos e pacientes pediátricos a partir de 2 anos de idade que estejam recebendo tratamento direcionado ao gene SMN2. O medicamento atua no músculo, enquanto as terapias existentes têm como alvo o sistema relacionado à produção da proteína necessária aos neurônios motores.

A eficácia e a segurança foram analisadas em um estudo de 52 semanas, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Participaram 188 pessoas com AME, entre 2 e 21 anos, que não conseguiam caminhar ou se mover de forma independente.

Os participantes já recebiam uma terapia aprovada para o gene SMN2. Eles foram distribuídos para receber Isembyld em doses de 10 mg/kg ou 20 mg/kg, por infusão intravenosa, ou placebo, uma vez a cada quatro semanas durante aproximadamente um ano. A análise principal considerou 156 pacientes entre 2 e 12 anos.

Ao fim de um ano, os pacientes que receberam 10 mg/kg apresentaram melhora na função motora, enquanto o grupo placebo teve declínio. A chance de uma melhora clinicamente significativa foi mais de duas vezes maior entre os participantes tratados.

As reações adversas mais comuns incluíram infecções do trato respiratório superior, vômitos, tosse, outras infecções virais, dor de cabeça, gastroenterite e faringite. Também foi observado risco maior de fraturas, inclusive graves. O medicamento pode causar danos ao feto e afetar a função reprodutiva.

Estudo combina remédio com tirzepatida

A Scholar Rock também avalia o apitegromabe para preservar a massa magra durante o emagrecimento. Em um estudo com 102 adultos com sobrepeso ou obesidade, um grupo recebeu apenas tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, por 24 semanas. O outro combinou a tirzepatida com o apitegromabe pelo mesmo período.

A infusão do apitegromabe foi feita a cada quatro semanas, enquanto o primeiro grupo recebeu placebo para comparação. Os voluntários não sabiam qual tratamento haviam recebido.

A redução total de peso foi semelhante nos dois grupos. No entanto, a massa magra representou 14,6% da perda entre os participantes que usaram apitegromabe, contra 30,2% no grupo placebo. No conjunto, quem recebeu o medicamento perdeu 1,9 kg menos de massa magra, o equivalente a uma retenção 54,9% maior dos músculos.

Os resultados foram publicados na revista científica Nature Medicine. O estudo é de fase 2 e avaliou a segurança em um grupo maior, além de iniciar a verificação da eficácia.

Ainda não há autorização da FDA ou de outras agências regulatórias, como a Anvisa, para o uso do apitegromabe contra a obesidade. Essa aprovação depende da fase 3 dos testes clínicos. A Scholar Rock busca parcerias para essa etapa, voltada à preservação e à recuperação da massa muscular durante a perda de peso combinada com a tirzepatida.

O endocrinologista Ramon Marcelino, doutor pela Faculdade de Medicina da USP e membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, afirmou: “Não há, neste momento, nenhuma indicação aprovada de inibidores de miostatina para obesidade”.

O médico também declarou que o uso fora da bula, sem estudos que comprovem a segurança, não é recomendado. Outros medicamentos estão em testes com o mesmo objetivo, entre eles o bimagrumabe. Resultados de fase 2 publicados na Nature Medicine em março deste ano indicaram que a combinação com semaglutida, do Ozempic e do Wegovy, levou a uma perda de 22,1% do peso após 72 semanas, com menos de 10% formado por massa muscular, contra quase 30% entre os participantes que receberam apenas semaglutida.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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