A BR-163 é a rodovia mais letal de Mato Grosso do Sul, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em 2026, foram registrados 532 acidentes, com 40 mortes e 570 feridos — alta de 8,5% em relação ao mesmo período de 2025.
A estrada atravessa o estado e liga Mato Grosso ao Paraná. O aumento do fluxo de cargas, misturado ao trânsito de carros de passeio e outros veículos menores, aparece entre os fatores associados à persistência das ocorrências. A PRF também aponta a imprudência como um dos elementos presentes na dinâmica dos sinistros.
Onde estão os principais riscos
A BR-262, que cruza Mato Grosso do Sul entre São Paulo e a fronteira com a Bolívia, em Corumbá, teve redução no volume geral de acidentes em relação a 2025. Ainda assim, o número de feridos cresceu 5,8%, indicando ocorrências com impactos mais graves, especialmente em colisões envolvendo vários veículos e velocidades elevadas.
Entre as 11 rodovias federais que passam pelo estado, os maiores índices de ocorrências estão nas BRs 163, 262, 267, 060, 158, 376 e 463. Para o inspetor da PRF Fábio Sodré, a instalação de indústrias e a extração de minérios mudaram o perfil econômico sul-mato-grossense e ampliaram a circulação nos principais corredores.
“É importante entendermos que um sinistro de trânsito pode ser influenciado por fatores diversos que estão relacionados com a via, com as condições do veículo, com o comportamento do condutor e as condições adversas”, explica Sodré.
A maioria das rodovias federais do estado ainda tem pista simples, o que exige atenção durante as ultrapassagens. Nas pistas duplicadas, o risco desse tipo de manobra é menor, mas a estrutura pode favorecer velocidades mais altas e aumentar a gravidade dos acidentes.
Na BR-163, sob concessão da Motiva Pantanal, os trechos considerados mais vulneráveis ficam em perímetros urbanos, principalmente nas proximidades de Campo Grande e Dourados. Nesses pontos, veículos leves do tráfego local dividem espaço com caminhões que percorrem longas distâncias.
Outro fator de risco é a travessia de animais silvestres. Foram mapeados até 50 pontos críticos de fauna para a implantação de passagens ecológicas e sinalização.
MS-306 concentra acidentes nas estradas estaduais
Nas rodovias estaduais, o levantamento do Batalhão da Polícia Militar Rodoviária (BPMR) aponta a MS-306 como a estrada com maior número de acidentes. A via liga Cassilândia à Costa Rica e funciona como corredor para o escoamento da produção agroindustrial de Mato Grosso em direção a São Paulo e Minas Gerais.
A MS-040 aparece na sequência. A rodovia liga Brasilândia a Campo Grande, passando por Santa Rita do Rio Pardo. O tráfego de carretas e veículos leves, somado a excesso de velocidade, ultrapassagens forçadas e fadiga, aumenta os riscos nesses trechos.
O levantamento estadual registra 932 capotamentos, 823 saídas de pista, 689 tombamentos, 452 colisões traseiras e 387 colisões laterais. Também foram contabilizadas 356 colisões frontais.
Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) mostram 5,4 mil sinistros nas estradas estaduais entre 2021 e 2026. A falta de atenção foi a principal causa conhecida, com 189 casos em 2026 e 283 em 2025. Na sequência aparecem animais na pista, ultrapassagens indevidas e motoristas dormindo ao volante.
A MS-040 concentra ocorrências nos trechos entre Campo Grande, Ribas do Rio Pardo e Santa Rita do Pardo. Já a MS-112 registra acidentes em Inocência e Três Lagoas.
Cuidados antes de pegar a estrada
As forças de segurança recomendam verificar freios, pneus e iluminação antes da viagem. Em trajetos longos, a orientação é programar pausas a cada duas horas.
O capitão Kleber de Souza Oliveira, subcomandante do BPMR, também orienta os motoristas a manter distância segura, respeitar o limite da via e não subestimar o cansaço. “O condutor não pode subestimar a estrada nem o seu próprio cansaço”, afirma.







