O comércio de tecidos, vestuário e calçados passou a acumular queda de 0,9% no ano até julho, depois de registrar alta de 0,1% entre janeiro e maio. O resultado veio após a mudança nas regras para compras internacionais de baixo valor, que retirou a cobrança de 20% sobre encomendas de até US$ 50.
Em julho, as vendas do setor recuaram 4,7% em volume na comparação com o mesmo mês do ano anterior, conforme a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE. Foi o segundo resultado mensal negativo nessa base: em junho, a retração havia sido de 1,7%.
Na comparação com junho, a queda foi de 2,7%. O indicador também tinha diminuído no mês anterior, com baixa de 3,2% ante maio. Antes dessa sequência, maio havia terminado com crescimento de 3,4% na comparação mensal e de 3,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A retração ficou abaixo das projeções de consultores de varejo, que esperavam alta de 0,8% a 1% em julho ante junho. A 4intelligence estimava avanço de 1% no período.
Representantes de empresas do setor relacionaram o desempenho ao novo cenário para os produtos importados. Um consultor que também integra o conselho de administração de uma rede brasileira de moda afirmou: “É um sinal de que o fim da alíquota de 20% já está batendo nas vendas das empresas”. Um executivo de uma rede de departamento mencionou ainda a instabilidade do clima, mas disse que esse não teria sido o fator principal. Segundo ele, entre maio e o fim de julho, a demanda por determinados itens nas grandes redes de moda caiu de 15% a 20%.
Mudança nas regras
A lei que zerou o imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50 foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 10 de setembro. A medida teve origem em uma medida provisória editada em maio, que já havia retirado a alíquota de 20%.
Empresários do varejo nacional criticaram a decisão e apontaram risco de perda de competitividade diante de plataformas estrangeiras. Na cerimônia de sanção, Lula contestou as reclamações e defendeu a alteração como uma correção tributária. “Vamos deixar o tempo passar para ver quem está com a verdade”, disse o presidente.
A legislação determina que o governo acompanhe regularmente os dados do setor para avaliar possíveis efeitos sobre os indicadores econômicos. Se necessário, as condições poderão ser ajustadas para reduzir impactos negativos sobre empresas nacionais. A forma de aplicação desse monitoramento ainda não foi definida.







