CAMPO GRANDE — Joel da Silva Oliveira, de 41 anos, morreu na tarde de sexta-feira (4), após o desabamento de uma estrutura na obra do supermercado Mister Junior, no Aero Rancho. Ele havia começado no novo emprego três dias antes do acidente e deixou duas filhas adolescentes.
O trabalhador tinha acertado a contratação no domingo (30), depois de sair de um culto. Por causa das chuvas no início da semana, iniciou as atividades na tarde de terça-feira (1°). Na quinta-feira (3), passou na casa do amigo João Walter para tomar café e demonstrou entusiasmo com a nova oportunidade. O acerto financeiro com a empresa anterior seria feito na sexta-feira (4).
As filhas de Joel, de 14 e 16 anos, moram em São Paulo (SP) com a mãe. Elas não foram ao velório para preservar as memórias afetivas que tinham com o pai. Os familiares também optaram por não conversar com a imprensa.
Relatos sobre a segurança
Amigos e companheiros de fé relataram preocupação com as condições de segurança no canteiro. Entre os pontos mencionados está a ausência de uma linha de vida, equipamento de proteção para trabalhadores em altura. João Walter afirmou que havia apenas uma linha de apoio no local.
"Questionei o CREA sobre a linha de vida, que não tinha na obra. Se tivesse, poderia ter salvado a vida dele e de todos os que se foram nessa tragédia", declarou o aposentado.
João Walter descreveu Joel como uma pessoa respeitosa, dedicada e conhecida por evitar conflitos. O pastor Jessé Queiroz, da Assembleia de Deus Ministério do Jordão, disse que o operário era amigo da comunidade religiosa desde que chegou a Campo Grande, entre 2007 e 2008. Segundo o líder religioso, Joel estava na igreja praticamente desde o início, em 2009.
Desabamento e investigação
O acidente ocorreu na Avenida Rachel de Queiroz. Uma câmera de segurança instalada na Rua Gruta do Maquiné registrou o momento em que a estrutura cedeu, às 14h07. As imagens mostram o colapso acontecendo em sequência, como um efeito dominó.
Equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu foram mobilizadas. Um trabalhador retirado dos escombros apresentava fratura no fêmur; outro estava consciente e orientado durante o atendimento. A área foi isolada porque partes da estrutura ainda ofereciam risco de queda.
O Crea-MS esteve no local para recolher documentos e verificar os registros relacionados à construção. A Perícia Científica também fez levantamentos, mas a causa do desabamento ainda não foi informada. A Polícia Civil, a Perícia Científica e o Crea-MS investigam o caso.
De forma preliminar, o conselheiro Sidiclei Formagini apontou como possibilidades uma falha no projeto ou problemas na montagem da estrutura pré-fabricada. Segundo o conselho, a documentação da obra estava regular na fiscalização inicial, com empresa registrada e profissional habilitado como responsável técnico. Outros documentos ainda serão analisados pela Câmara de Engenharia Civil.
O supermercado está sendo construído em um terreno de aproximadamente 1,5 mil metros quadrados. Não foram encontradas no local placas com informações sobre a construtora ou os responsáveis técnicos pela obra. A perícia voltou ao endereço no sábado para continuar os levantamentos sobre possível falha no projeto, na execução ou na montagem da estrutura.








