O fechamento temporário do oleoduto Leste-Oeste, na Arábia Saudita, aumentou a preocupação com a oferta mundial de petróleo nesta segunda-feira (14). A estrutura foi atingida por drones e permite ao país redirecionar exportações pelo Mar Vermelho, sem passar pelo Estreito de Ormuz.
A interrupção pode ameaçar até 4% do abastecimento global da commodity. O porto de Yanbu, por onde parte desse fluxo é movimentado, opera com capacidade limitada e tem estoque estimado para apenas entre cinco e sete dias de exportações, conforme três fontes do setor produtivo familiarizadas com a logística saudita.
No mercado futuro, o Brent subia US$ 2,93, alta de 2,8%, para US$ 107,54 por barril. O West Texas Intermediate (WTI) avançava US$ 2,88, valorização de 2,9%, negociado a US$ 102,93 por barril.
Ataques ampliam tensão na região
A alta ocorre após novos ataques contra infraestruturas de energia e alvos civis na Arábia Saudita, além de investidas iranianas contra embarcações no Golfo Pérsico. Na semana passada, o petróleo havia subido 8% por causa de interrupções no fornecimento e ultrapassado US$ 100 pela primeira vez desde julho.
Em análise ao mercado, estrategistas de commodities do banco ING afirmaram que houve uma intensificação dos ataques à infraestrutura energética saudita, incluindo o oleoduto Leste-Oeste. Os especialistas disseram que ainda não há clareza sobre a extensão dos danos nem sobre o tempo necessário para a retomada da operação.
Imagens divulgadas pela mídia estatal saudita mostram danos em residências e em uma mesquita na província de Jazan, no sul do país. As investidas foram atribuídas aos rebeldes houthis, que confirmaram um ataque contra uma base militar saudita em uma província vizinha.
A agência britânica de segurança marítima (UKMTO) informou que uma embarcação foi atingida por um projétil no Estreito de Ormuz. O incêndio provocado pelo impacto levou à evacuação da tripulação. Autoridades do Irã comunicaram que uma pessoa morreu e quatro tripulantes ficaram feridos após um navio comercial iraniano ser atingido na costa do país.
No Iêmen, os houthis, alinhados ao Irã, avançaram para a ilha de Perim para reforçar o controle sobre o estreito de Bab el-Mandeb. Essa rota respondeu por 4% a 5% do suprimento mundial de petróleo nos últimos meses.
As conversas diplomáticas também foram adiadas. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, confirmou o adiamento de uma reunião entre países do Golfo e o Irã sobre a segurança no Estreito de Ormuz. Nenhuma negociação de paz foi realizada desde o fracasso do acordo provisório firmado em junho, em meio à guerra iniciada há seis meses pelos Estados Unidos e por Israel.







