O Federal Reserve terá de avaliar um núcleo de inflação acima do esperado antes da reunião marcada para 15 e 16 de setembro. O indicador americano subiu 0,3% em agosto, contra uma previsão de 0,2% e o mesmo avanço registrado em julho. O resultado fortalece a possibilidade de manutenção dos juros nos Estados Unidos ou até de um ajuste pontual para cima.
A pressão, porém, não aparece em todos os componentes. Em 12 meses, o núcleo do CPI recuou de 2,5% para 2,4%. Já a gasolina aumentou 3,9% e respondeu por mais de um terço da inflação cheia. O índice de abrigo, que inclui os aluguéis, avançou 0,3%, influenciado principalmente pela hospedagem fora de casa.
Cenários diferentes para os bancos centrais
O CPI completo teve alta de 0,4% em agosto, acima do 0,1% de julho e em linha com as projeções. Os dados foram divulgados pelo Departamento do Trabalho americano poucos dias antes da decisão do Fed. O mercado de trabalho também entra na avaliação: 162 mil vagas foram criadas em agosto, enquanto o desemprego ficou estável em 4,1%.
No Brasil, o movimento foi oposto. O IPCA caiu 0,32% em agosto, depois de ter subido 0,07% em julho. Segundo o IBGE, foi a primeira deflação mensal desde agosto de 2025. O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas, situada entre −0,28% e −0,29%.
A habitação foi o principal fator de baixa, com recuo de 1,87%. A energia elétrica residencial diminuiu 7,63% devido ao bônus da Itaipu Binacional nas contas de luz. Esse efeito não deve se repetir com a mesma intensidade em setembro. Sem a energia, o índice teria ficado praticamente estável, informou o IBGE.
Transportes recuou 0,86%, em razão da queda nos combustíveis e nas passagens aéreas. Alimentação e bebidas registrou a terceira redução mensal consecutiva, de 0,34%. As despesas pessoais tiveram alta de 1,30%, a maior entre os grupos, puxadas principalmente pelo cigarro.
O que os números indicam sobre a Selic
Em 12 meses, o IPCA desacelerou de 4,44% para 4,22%, permanecendo abaixo do teto de 4,50% do intervalo de tolerância da meta. A leitura apoia a expectativa de corte de 25 pontos-base da Selic na reunião do Copom da próxima semana. O caráter temporário da redução na conta de luz, no entanto, limita a interpretação de uma desaceleração permanente dos preços.







