As expectativas de inflação para os próximos anos continuam acima da meta, um dos fatores que o Comitê de Política Monetária (Copom) considera ao definir a taxa básica de juros. Diante desse cenário, o Banco Central afirmou nesta terça-feira (22) que manterá uma política monetária restritiva e não antecipará os próximos movimentos da Selic.
A instituição disse que suas decisões levam em conta principalmente as projeções futuras, e não apenas os dados recentes. A transmissão dos efeitos dos juros sobre a economia costuma levar de seis a 18 meses para se completar. Por isso, o Banco Central já avalia o horizonte do primeiro trimestre de 2028 na análise da trajetória da política monetária.
As estimativas do mercado financeiro apontam inflação de 4,92% em 2026, 4,3% em 2027 e 3,80% em 2028. Todos esses valores estão acima da meta central de 3%.
O Banco Central reconheceu que houve desaceleração da inflação ao consumidor, tanto no índice cheio quanto nas medidas subjacentes. A instituição, porém, ressaltou que as expectativas permanecem acima da meta em todos os horizontes e que o custo da desinflação sobre a atividade econômica é maior quando elas estão desancoradas.
“No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços”, o Comitê informou que ajustará a magnitude do ciclo de calibração dos juros conforme a evolução do cenário. A intenção, segundo o BC, é preservar uma restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.
Como funciona a política de juros
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação. Quando sobe ou permanece elevada, o crédito fica mais caro, o que tende a reduzir empréstimos, investimentos e consumo. O movimento ajuda a frear a alta de preços, mas pode afetar o ritmo da economia.
Desde o início de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua. A meta central foi fixada em 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Em junho, após a inflação permanecer por seis meses consecutivos acima do limite, o Banco Central divulgou uma carta pública para explicar o descumprimento.
A autoridade monetária afirmou que seguirá conduzindo os juros com “perseverança, firmeza e serenidade”. Para a instituição, essa postura contribui para aproximar as projeções dos agentes econômicos das metas estabelecidas para os próximos anos, com menor custo para a atividade econômica.







