O Ibovespa encerrou a sexta-feira praticamente estável, com queda de 0,02%, aos 185.147,15 pontos. Mesmo assim, acumulou alta de 5,40% na semana, o segundo melhor resultado semanal do ano. O índice chegou a rondar os 189 mil pontos no melhor momento do período.
O desempenho semanal ficou atrás apenas da alta de 8,53% registrada na semana encerrada em 23 de janeiro. No pregão, o Ibovespa oscilou entre 186.544,81 pontos, na máxima, e 183.251,93 pontos, na mínima. O volume financeiro somou R$25,06 bilhões.
Fluxo estrangeiro e eleição no radar
O início de setembro foi marcado pelo retorno do capital externo às ações brasileiras. Dados da B3 indicaram saldo positivo de R$2,2 bilhões nos dois primeiros pregões do mês, movimento que ajudou a sustentar a alta semanal.
A disputa presidencial de outubro também influenciou os negócios. Pesquisas apontaram redução da vantagem numérica de Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro em um possível segundo turno. Parte do mercado avalia que uma alternância no poder em Brasília poderia beneficiar as perspectivas fiscais do país.
Para Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, os ativos passaram por uma reavaliação das expectativas sobre a condução das contas públicas a partir de 2027. Ela afirmou que o movimento reduziu o prêmio de risco no curto prazo, mas pode ser revertido conforme o cenário evoluir. “Trata-se de um rali de expectativa, com volatilidade alta pela frente até que haja mais clareza.”
Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, considerou o cenário favorável para o índice, mas observou que a forte valorização acumulada começa a mostrar sinais de realização. Na avaliação dele, novos catalisadores serão necessários para que as máximas sejam renovadas.
Dados dos Estados Unidos pressionam o pregão
Depois de interromper na véspera uma sequência de 11 altas, o Ibovespa abriu enfraquecido com dados de emprego dos Estados Unidos. O Departamento do Trabalho informou a abertura de 162 mil vagas fora do setor agrícola no mês passado, acima das previsões de 56 mil postos.
Os dados de julho foram revisados para a abertura de 21 mil vagas, ante o fechamento de 23 mil postos informado anteriormente. A taxa de desemprego em agosto permaneceu em 4,1%.
A ferramenta FEDWATCH, da CME, indicava no fim da tarde probabilidade de 58,4% para uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa de juros dos Estados Unidos, atualmente entre 3,50% e 3,75%. No dia anterior, essa chance era de 48,4%.
Em Nova York, o S&P 500 caiu 0,38%. O rendimento do Treasury de 10 anos ficou em 4,784%, ante 4,762% na véspera. Economistas do Bradesco afirmaram que a decisão do Federal Reserve continuará dependente dos dados de preços. A reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto está prevista para os dias 15 e 16.
Ações em destaque
Vale ON subiu 0,22%, acompanhando o avanço de 1,04% do contrato mais negociado de minério de ferro na Bolsa de Mercadorias de Dalian. Petrobras PN caiu 0,95%, enquanto Petrobras ON recuou 1,08%. No mercado internacional, o barril de petróleo Brent avançou 0,8%, a US$96,28.
Entre os bancos, Itaú Unibanco PN terminou estável. Bradesco PN ganhou 0,62%, Banco do Brasil ON subiu 0,31% e Santander Brasil Unit caiu 0,03%.
Minerva ON teve alta de 4,22%, enquanto MBRF ON recuou 3,7% e JBS caiu 0,84%. Ultrapar ON avançou 2,66% e Vibra ON subiu 0,33%, após o UBS BB reiterar recomendação de compra e elevar os preços-alvos: de R$36 para R$41 no caso da Ultrapar e de R$38 para R$42 para a Vibra.
Fora do Ibovespa, IRB(RE) ON valorizou 4,64% depois de o Senado aprovar um projeto que reduz impostos pagos por resseguradoras nacionais. O texto segue para sanção presidencial.







