ESTADOS UNIDOS — A criação de empregos nos Estados Unidos ficou abaixo do esperado em setembro, em parte por causa do calendário. O feriado do Dia do Trabalho ocorreu em 5 de setembro, uma situação associada a resultados mais fracos nos ajustes sazonais usados pelo governo para retirar dos dados as variações típicas de cada período.
O relatório do Departamento do Trabalho, divulgado nesta sexta-feira (2), registrou 29 mil novos postos fora do setor agrícola. Em agosto, foram abertas 133 mil vagas, número revisado para baixo em relação à leitura anterior. A divulgação original havia apontado 162 mil empregos.
A previsão dos economistas era de 90 mil vagas em setembro. As estimativas variavam entre 35 mil e 180 mil postos de trabalho. Apesar da surpresa negativa, economistas avaliam que o resultado pontual não indica uma mudança estrutural significativa no mercado de trabalho.
Desemprego permanece baixo
A taxa de desemprego passou de 4,1% em agosto para 4,2% em setembro. Mesmo com a alta, o indicador continuou em um patamar historicamente baixo. A contenção da taxa ocorre em grande parte pela redução da oferta de mão de obra, associada às aposentadorias e às políticas de repressão à imigração promovidas pelo governo Donald Trump.
Os pedidos iniciais de seguro-desemprego permanecem entre os menores níveis registrados em 57 anos. O cenário também conta com o crescimento dos lucros das companhias e a resiliência da demanda interna dos Estados Unidos. Não há, porém, indicação de aumento generalizado nas demissões.
Para acompanhar a expansão da população em idade ativa, economistas estimam que a economia norte-americana precise criar entre 50 mil e 80 mil empregos por mês.
Pressões sobre empresas e juros
Avaliações de economistas apontam que os efeitos da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã podem atingir o mercado de trabalho até o final deste ano e ao longo de 2027. Entre os fatores citados estão a alta dos preços da energia e os gargalos nas cadeias globais de suprimentos.
Os preços do combustível diesel chegaram a níveis recordes, com potencial de elevar os custos produtivos para além dos setores de transporte e agricultura. Uma pesquisa do Instituto de Gestão de Suprimentos, divulgada na quinta-feira (1º), mostrou maior preocupação entre fabricantes norte-americanos com a guerra comercial travada com o Canadá.
No mês passado, o Banco Central dos Estados Unidos elevou a taxa básica de juros de curto prazo em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%. Foi a primeira alta em três anos. Ainda assim, a possibilidade de novo aumento na reunião de 27 e 28 de outubro perdeu força após os dados de inflação de julho e agosto ficarem abaixo do projetado: a probabilidade caiu de aproximadamente 69% para cerca de 22%.







