MILWAUKEE — O governo dos Estados Unidos não aceitou suspender a tarifa de 37,5% aplicada a produtos brasileiros enquanto os dois países negociam. Em contrapartida, Washington se comprometeu a registrar por escrito as exigências que pretende apresentar ao Brasil.
A previsão dos negociadores brasileiros é que o documento chegue em três ou quatro semanas, provavelmente no início de novembro. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, não definiu uma data precisa para a entrega.
O compromisso foi assumido em uma reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o chanceler Mauro Vieira. O encontro aconteceu à margem da reunião ministerial do G20, em Milwaukee, no estado de Wisconsin.
“Esse é meu dever de casa”, afirmou Greer a Elias Rosa, ao tratar da elaboração do documento de referência para as próximas etapas da negociação.
O que o Brasil quer detalhar
O governo brasileiro espera que a lista informe quais setores serão envolvidos, quais tarifas entrarão na discussão, que condições serão associadas às exportações, além dos temas de competitividade e dos mercados incluídos nas tratativas.
A intenção é delimitar o alcance das conversas antes que o Brasil faça novas concessões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem criticado uma dinâmica em que os Estados Unidos apresentam reivindicações sucessivas e acumulam concessões sem expor previamente todos os pontos de interesse.
A reunião foi a primeira presencial e bilateral de alto nível desde o anúncio, em julho, da tarifa de 37,5% contra produtos brasileiros. A sobretaxa atinge cerca de 20% das mercadorias brasileiras importadas pelos Estados Unidos, com impacto sobre setores como têxteis, calçados e móveis de madeira.
Temas que podem entrar na pauta
Entre os assuntos esperados estão a regulação das big techs e medidas para facilitar o comércio de produtos industriais, eletroeletrônicos e químicos. O etanol também pode voltar às discussões, assim como o interesse dos Estados Unidos pelas terras-raras brasileiras, incluindo exploração, processamento e refino.
Greer demonstrou disposição para tentar impulsionar um acordo comercial até dezembro. Elias Rosa, porém, avaliou que a amplitude e a complexidade das negociações dificultam um entendimento nesse prazo.
As conversas ocorreram a poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. A avaliação era de que uma nova etapa das tratativas ganharia força depois do processo eleitoral. Até a publicação das informações, Greer e o USTR não haviam divulgado comentários públicos sobre a reunião.






