O presidente Lula afirmou que discute com o Banco Central uma proposta para limitar a um cartão de crédito por pessoa no país. A declaração foi feita na quinta-feira (1º), em meio ao aumento das concessões do crédito rotativo e à preocupação com o endividamento das famílias.
Lula criticou a facilidade com que instituições financeiras liberam limites. Ao relatar o caso de um pai de um menino autista que recebeu o quarto cartão, gastou R$ 80 mil e ficou com uma dívida do mesmo valor, o presidente disse: “Nós precisamos fazer uma reformulação na economia brasileira.”
Os dados do Banco Central mostram que as concessões do rotativo chegaram a R$ 311 bilhões nos primeiros oito meses de 2026. O resultado supera os R$ 266 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025 e já se aproxima dos R$ 403 bilhões de todo o ano passado.
A linha é acionada quando o consumidor não paga a fatura integral até o vencimento. Em agosto, a taxa de juros alcançou 445% ao ano, enquanto o crédito consignado tem taxas anuais entre 24% e 56%.
O Banco Central informou que havia 101 milhões de usuários de cartão de crédito no início deste ano. Em janeiro, cerca de 40 milhões de brasileiros estavam pendentes no rotativo, cuja inadimplência chegou a 63,5%. Isso significa que mais de R$ 60 a cada R$ 100 concedidos nessa modalidade não foram pagos pelos tomadores.
A série histórica indica que, entre 2012 e 2020, as concessões anuais do rotativo não passaram de R$ 225 bilhões. Em 2020 e 2021, a movimentação foi influenciada pelas transferências do Auxílio Emergencial. Depois do fim do benefício, a partir de 2022, e com a inflação acima de 10% em 2021 e de 5,8% em 2022, os desembolsos avançaram até superar R$ 400 bilhões em 2025.
Em março deste ano, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que parte da população passou a incluir linhas emergenciais e caras no orçamento mensal. “Nossa dimensão do BC é como a gente consegue construir alternativas para o cliente ter uma opção mais adequada à situação dele”, disse.
Alternativas e limite para a dívida
No ano passado, o governo federal lançou o crédito consignado para trabalhadores do setor privado. A modalidade liberou R$ 130 bilhões até junho deste ano e permite usar o FGTS como garantia, embora entidades de defesa do consumidor recomendem cautela.
Desde janeiro de 2024, também está em vigor um teto para o saldo devedor do rotativo. Juros e encargos não podem superar o valor original da dívida: um débito inicial de R$ 100 não pode passar de R$ 200 no total.







