MATO GROSSO DO SUL — A proposta de adicionar corante verde ao etanol hidratado pode exigir adaptações industriais e aumentar os custos operacionais das usinas de Mato Grosso do Sul. A medida é estudada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) como solução provisória para identificar o uso irregular do combustível na fabricação de bebidas alcoólicas.
O Estado é o 4º maior produtor nacional de etanol e alcançou uma produção recorde de 5 bilhões de litros na safra 2025/2026. Para Arthur Falcette, secretário da Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), a adição obrigatória do corante ainda na usina também ampliaria as exigências de controle, rastreabilidade e conformidade regulatória.
A proposta definitiva da ANP envolve o benzoato de denatônio, uma substância extremamente amarga que seria percebida pelos consumidores caso o etanol combustível fosse usado para adulterar bebidas. A agência, porém, ainda precisa comprovar a viabilidade técnica do produto por meio de testes mecânicos. Como não há prazo definido para a adoção da solução definitiva, o corante verde foi apresentado como alternativa provisória.
Falcette afirmou que a mudança pode exigir investimentos e adaptações que eventualmente teriam de ser revistos caso o benzoato de denatônio seja adotado. Ele também apontou a necessidade de analisar possíveis impactos na logística e na separação do etanol destinado a diferentes mercados, incluindo as exportações.
“O setor compreende e apoia o objetivo de combater o desvio de etanol para a fabricação clandestina de bebidas”, disse o secretário. Segundo ele, a regulamentação deverá demonstrar a efetividade, os custos e a proporcionalidade da medida, além de avaliar alternativas com menor impacto sobre a competitividade do setor.
A Biosul informou que acompanha as discussões e aguarda o avanço do processo regulatório e a definição dos critérios técnicos para avaliar os efeitos da medida nas unidades produtoras do Estado.
Mato Grosso do Sul também é o 4º maior produtor de cana-de-açúcar, o 2º maior produtor de etanol de milho e o 5º maior produtor de açúcar do Brasil. Na safra 2025/2026, foram moídas 52 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, com produção de 2,1 milhões de toneladas de açúcar. O Estado responde por 13,5% da produção nacional de etanol, e o etanol de milho representa 44% do total produzido.







