SÃO PAULO — O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, classificou o caso envolvendo o Banco Master como “um crime financeiro de grande escala”. A declaração foi dada nesta quarta-feira (23), durante a J. Safra Investment Conference, em São Paulo.
Mercadante afirmou que o episódio reforça a necessidade de ampliar a capacidade operacional das instituições responsáveis por acompanhar o sistema financeiro e o mercado de capitais. Na avaliação dele, o Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) precisam de estruturas mais preparadas para identificar operações suspeitas e agir diante de riscos.
“A fiscalização e a regulação estão muito fragilizadas”, disse o presidente do BNDES.
Questionamentos sobre o Banco Master
As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master incluem suspeitas relacionadas a operações e ativos negociados pela instituição. Também foram apontadas inconsistências em carteiras de crédito negociadas com o Banco de Brasília (BRB). As defesas dos investigados contestam as acusações de fraude.
O caso envolve a instituição de Daniel Vorcaro e levantou dúvidas sobre a capacidade dos mecanismos de supervisão de detectar e interromper operações suspeitas antes de impactos mais amplos no sistema financeiro.
Estrutura da CVM
A atuação da CVM também está sob debate. A autarquia reúne cerca de 1.070 processos, dos quais aproximadamente 160 estavam prontos para julgamento, conforme levantamento divulgado neste mês. O intervalo médio entre os fatos investigados e uma decisão em primeira instância passa de quatro anos.
O presidente da CVM, Otto Lobo, colocou entre as prioridades da gestão a adoção de inteligência artificial para localizar operações suspeitas e tornar mais rápida a avaliação dos processos. A autarquia também prevê aplicar recursos em tecnologia e ampliar sua capacidade de fiscalização.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal e divulgadas pela imprensa indicaram que Vorcaro teria dito que atuaria politicamente pela permanência de Lobo no comando da CVM. Lobo nega ter pedido apoio ao banqueiro ou manter vínculos com ele.
Reforço dos órgãos
A proposta de Mercadante não envolve reduzir a autonomia dos reguladores. Ele defendeu que BC e CVM recebam condições mais robustas, com recursos tecnológicos, equipes técnicas especializadas e instrumentos capazes de acompanhar transações em tempo real.
A conferência promovida pelo Banco Safra ocorreu nos dias 22 e 23 de setembro e reuniu investidores, empresários, gestores e autoridades para discutir crédito, política monetária, economia e desafios estruturais do Brasil.







