Valquiria Lino Costa, de 41 anos, recebe R$ 450 do programa Mais Social para complementar o salário como empregada doméstica. Mãe solo de duas filhas, de 10 e 4 anos, ela usa o benefício principalmente para comprar alimentos, roupas e medicamentos.
O auxílio ajuda a manter as despesas básicas, mas não resolve um obstáculo que pode adiar os planos profissionais da doméstica: encontrar alguém para cuidar das meninas caso ela retome os estudos. Valquiria concluiu o ensino médio e quer fazer um curso ligado à moda, área que desperta seu interesse desde a adolescência.
As aulas costumam acontecer à noite. Para frequentá-las, ela teria de pagar uma pessoa para buscar as filhas na escola, levá-las para casa e cuidar delas. A dificuldade deve aumentar no próximo ano, quando a filha mais nova deixar a creche em período integral e passar a frequentar a escola.
“Eu vou precisar de alguém para olhar elas no restante do dia”, afirma Valquiria. Segundo ela, o custo de uma babá ou de alguém que faça o transporte e prepare o almoço pesa no orçamento.
Beneficiária do Mais Social há cerca de cinco anos, Valquiria pretende deixar o programa quando melhorar a situação financeira da família. Até lá, o dinheiro continua sendo usado para complementar a renda. “Me ajuda muito em relação a manter a casa. É alimentação, vestuário, medicação”, conta.
Benefícios e qualificação
O Governo de Mato Grosso do Sul afirma que a política de assistência social busca combinar transferência de renda, qualificação profissional e educação. Por meio do programa Sem Deixar Ninguém para Trás, a Sead-MS (Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos) reúne ações voltadas a famílias em situação de vulnerabilidade.
A secretária Patrícia Elias Cozzolino de Oliveira diz que as regras foram alteradas para evitar a perda imediata do benefício quando o atendido consegue emprego. Atualmente, quem conquista trabalho com carteira assinada pode continuar recebendo o Mais Social, desde que a renda familiar per capita fique em até meio salário mínimo.
O programa também prevê valores adicionais para mulheres atendidas. Mães chefes de família que voltam a estudar podem receber R$ 300. Há ainda a previsão de R$ 600 por filho para o pagamento de creche privada, desde que a família cumpra os critérios definidos.
Para acessar o auxílio-creche, a mulher precisa estar empregada ou contribuir para a Previdência como autônoma e comprovar a contratação de uma instituição regularizada. A regra, porém, não resolve a situação de Valquiria quando a criança deixa a creche em período integral.
A secretária afirma que cerca de 95% dos beneficiários do Mais Social são mulheres. A pasta também informa que, a partir de 2023, equipes visitaram mais de 26 mil endereços nos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, depois do cruzamento de diferentes bases de dados.
Patrícia afirma ainda que 44 mil famílias deixaram a situação de insegurança alimentar, com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No caso de Valquiria, o benefício cobre parte das necessidades do mês, mas a possibilidade de estudar e buscar uma renda maior continua ligada à existência de uma rede de apoio para cuidar das filhas.








