Um acordo entre a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a farmacêutica Gilead Sciences pode facilitar a chegada ao Brasil do lenacapavir, medicamento injetável usado na prevenção do HIV. Comercializado como Sunlenca, ele é aplicado sob a pele do abdômen a cada seis meses, como PrEP (profilaxia pré-exposição).
O Brasil está entre os 14 países da América Latina e do Caribe que poderão ser beneficiados pelo acordo. A iniciativa, porém, não estabelece quando o medicamento será fornecido, qual será o preço nem a quantidade reservada ao país.
O que falta para o acesso
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou em janeiro o uso do lenacapavir como PrEP para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com pelo menos 35 quilos. Para que o produto chegue ao mercado, ainda é preciso definir o preço máximo.
A oferta pelo Sistema Único de Saúde (SUS) depende de uma avaliação para incorporação e de uma decisão do Ministério da Saúde. Em julho, o governo tentou negociar diretamente a compra com a Gilead, mas não houve acordo. A proposta brasileira era de US$ 400 por pessoa ao ano, segundo um representante do ministério.
Resultados dos estudos
Estudos de fase 3 apontaram alta eficácia do medicamento. No Purpose 1, não houve infecções entre as mulheres cisgênero que receberam lenacapavir. Já o Purpose 2, que contou com a participação de centros brasileiros, registrou redução de 96% na incidência de HIV em comparação com a taxa esperada sem PrEP.
O lenacapavir não é uma vacina. Antes de cada aplicação, é necessário confirmar que a pessoa não tem HIV e manter o acompanhamento durante o uso.







