MATO GROSSO DO SUL — A distância dos postos e o funcionamento das unidades em horário comercial estão entre os principais obstáculos para ampliar a vacinação no estado. Mesmo com Vacimóvel, drive-thru, plantões em supermercados e shoppings e equipes que percorrem áreas afastadas, algumas vacinas continuam abaixo de 80% da meta.
A segunda dose da Tríplice Viral, a Qdenga, as duas doses contra o vírus da catapora, os imunizantes contra a covid-19 para grupos como gestantes e a vacina contra quadros graves da influenza estão entre as doses com menor cobertura, conforme a última atualização da Rede Nacional de Dados em Saúde do Ministério da Saúde.
Acesso fora do horário comercial
Para Nathan Aratani, enfermeiro, doutor em Saúde e professor do mestrado em Saúde da Família, o acesso é o principal problema. As unidades geralmente funcionam de segunda a sexta-feira, em horário comercial, o que dificulta a vacinação da população que trabalha.
O estado destina recursos para plantões em alguns finais de semana e feriados. Prefeituras também enviam equipes a áreas afastadas, mas o professor defende a ampliação das ações fora dos postos. “Não dá para vincular a vacinação apenas aos serviços de saúde”, afirmou.
Segundo Nathan, a cobertura costuma ser melhor entre crianças até 4 anos e diminui entre adolescentes, adultos e idosos. Depois do primeiro ano de vida, responsáveis podem deixar de consultar a caderneta de vacinação.
Dados desatualizados em municípios
Bandeirantes e Corguinho aparecem entre os municípios com menores coberturas nas vacinas mais distantes da meta. As cidades têm uma parcela significativa da população em áreas rurais. Os secretários municipais de Saúde afirmam que profissionais visitam essas regiões todas as semanas, mas os registros no sistema do Ministério da Saúde estão atrasados.
Em Corguinho, Alex Julião disse que a equipe responsável perdeu um certificado necessário para acessar o sistema e ainda não resolveu o problema. “Nós estamos vacinando, só não está atualizado”, declarou. Segundo ele, há campanhas em assentamentos, fazendas e distritos, além de atendimento aos sábados.
Rafael Maciel Acosta, secretário de Saúde de Bandeirantes desde março deste ano, também afirmou que os dados estão em atualização. Ele disse que as equipes visitam assentamentos semanalmente e que, conforme o controle municipal, as coberturas estão próximas de 100%.
Novas vacinas e estratégias
Nathan afirmou que imunizantes incorporados recentemente ao PNI, como a Qdenga, as vacinas contra a covid-19 e a que combate o VSR, levam tempo para serem conhecidos e aceitos pela população. No caso do HPV, a cobertura é menor entre meninos, em parte porque a comunicação ficou muito associada à prevenção do câncer de colo do útero.
A SES informou que o programa MS Vacina Mais financia busca ativa e horários diferenciados nas unidades. A secretaria também citou Vacimóveis, estruturação da rede de frio municipal, capacitações e mobilizações das equipes.
A pasta reconheceu que acesso aos serviços, informação, disponibilidade das vacinas, educação em saúde, mobilização da população e atualização dos sistemas de informação interferem na cobertura vacinal.







