RIO DE JANEIRO — A Petrobras pretende ampliar a produção brasileira de fertilizantes nitrogenados de uma participação equivalente a zero da demanda nacional, em 2025, para 35% do consumo do país nos próximos quatro anos. A meta foi apresentada pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante palestra no Clube de Engenharia, na quarta-feira (16).
A companhia também estabeleceu o objetivo de produzir, até 2030, diesel suficiente para atender integralmente ao consumo brasileiro. Magda relacionou o plano à segurança energética diante das turbulências internacionais e ao papel do combustível no funcionamento da economia. “Leva a comida para a casa dos brasileiros”, afirmou.
Investimentos em produção e infraestrutura
A estratégia inclui projetos em refino, fertilizantes, exploração de petróleo, logística, construção naval e transição energética. Ao falar sobre novas iniciativas, a presidente destacou investimentos em refinarias, dutos, navios e embarcações de apoio, mas ressaltou que a execução depende de controle financeiro. “Dependem da disciplina de capital”, disse.
A Petrobras também pretende manter os investimentos em exploração e produção de petróleo. Magda afirmou que as fontes não renováveis exigem reposição constante das reservas para preservar a capacidade produtiva da companhia. Ela mencionou as atividades na Margem Equatorial, incluindo o Amapá, além de projetos internacionais na África.
Segundo a presidente, embora o pico produtivo do pré-sal esteja projetado para ocorrer mais adiante, a empresa precisa preparar novas frentes para sustentar as atividades no longo prazo. A busca por reservas também está ligada à substituição futura de campos que hoje respondem por parte relevante da oferta brasileira.
Indústria naval e transição energética
Outro ponto apresentado foi a retomada da indústria naval brasileira. De acordo com Magda, a Petrobras encomendou 400 embarcações de apoio a estaleiros instalados no país. Ela afirmou que o setor voltou a crescer depois de um período de retração e citou o ciclo entre 2004 e 2015, quando exigências de conteúdo local e encomendas ligadas à estatal contribuíram para a expansão da atividade.
Na avaliação apresentada pela executiva, aquele período chegou a gerar 83 mil empregos. Ela também afirmou que a indústria naval teve seu pior momento em 2019 e, a partir de 2024, registrou crescimento, com 17 mil empregos acrescentados aos 71 mil existentes.
A Petrobras ainda planeja participar da expansão da oferta de energia. Segundo Magda, as fontes renováveis representam 54% da matriz energética brasileira, com expectativa de avanço para 64%. A estatal pretende responder por 30% do esforço necessário para essa ampliação.
A presidente afirmou que a expansão da oferta energética está ligada ao desenvolvimento econômico e social e ressaltou que o consumo de energia por habitante no Brasil permanece abaixo da média mundial. Para ela, o desafio não depende apenas da Petrobras: a companhia participaria com 30% do esforço, enquanto os outros dois terços caberiam a outros agentes.
Durante a apresentação, Magda não comentou a situação da Petros, fundo de previdência dos trabalhadores da Petrobras. O tema envolve o equacionamento de déficits e alterações em planos previdenciários para funcionários da ativa, aposentados e pensionistas.







