CAMPO GRANDE — A Operação Antidotum investiga fraudes e desvios em contratos da Santa Casa de Campo Grande. Ao todo, seis pessoas são alvo de ordens de prisão preventiva, entre elas a presidente do hospital, Alir Terra Lima, e diretores da instituição. A ofensiva também cumpre 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Além de Alir, estão na lista Rinaldo Romero, diretor financeiro da Santa Casa; Beatriz Lemes da Silva, diretora do plano Santa Casa; Paulo Duarte, dono da Duarte Cruz e assessor jurídico da instituição; e Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo. O sexto alvo não foi identificado no texto divulgado.
A investigação é conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), com participação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). O prejuízo inicialmente apontado é de R$ 4,9 milhões.
Contratos sob investigação
Um dos contratos analisados foi firmado pela ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande), responsável pela administração do hospital, para a digitalização de prontuários. O acordo previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano, durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Conforme o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o desvio chegou a R$ 1,4 milhão somente no primeiro ano.
Também foram encontradas irregularidades em contratos da Operadora Santa Casa Saúde com empresas do mesmo grupo econômico. De acordo com a apuração, essas empresas tinham ligações com a diretoria da Santa Casa e estavam registradas no mesmo endereço, embora o imóvel estivesse desocupado.
Somente em 2025, a operadora teria pago aproximadamente R$ 9,6 milhões a essas empresas, com prejuízo de, no mínimo, R$ 3,5 milhões. A investigação também apontou que contratos, pagamentos e prestações de contas eram omitidos dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.
O valor total do prejuízo ainda está sendo apurado. A operação teve apoio do Batalhão de Choque e participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados e da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil).
A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande informou que está colaborando com as autoridades e aguarda acesso aos autos para conhecer oficialmente as acusações. Em nota, afirmou: “A Santa Casa reforça que os atendimentos à população seguem normalmente, sem qualquer prejuízo à assistência aos pacientes”.








