LA GUAIRA — “Vamos te amar para sempre, filha”, dizia a inscrição no carro da família de Francelis Iriarte, adolescente de 16 anos morta no desabamento do prédio onde vivia. O imóvel caiu diante dos olhos dos pais, que voltavam para casa depois de ir ao supermercado.
A lembrança da jovem marcou uma vigília realizada na noite de sexta-feira (3), cem dias depois dos terremotos que atingiram a Venezuela. Cerca de 400 pessoas se reuniram no terreno onde ficava a construção, destruída em 24 de junho pelos tremores de magnitudes 7,2 e 7,5.
A área fica no estado costeiro de La Guaira, a cerca de 40 km de Caracas. Os terremotos deixaram mais de 6.500 mortos, um número ainda indeterminado de desaparecidos e milhares de famílias desabrigadas.
Memórias entre os escombros
Voluntários entregaram velas brancas aos familiares durante a cerimônia. Selene Manahu, mãe de Francelis, disse que a homenagem aos mortos e desaparecidos traz “um pouquinho de serenidade”. A família encontrou o corpo da adolescente após 29 dias de buscas entre montanhas de escombros.
Fielluz Perdomo, moradora de La Guaira, também recordou parentes mortos nos terremotos, que destruíram centenas de edifícios. Ao observar o terreno vazio, ela afirmou que é duro “não haver nada, só restar uma arvorezinha, é terrível”.
A atividade, chamada Feixe de Luz, foi organizada pela ONG Venezuela Te Ayuda Foundation. No encerramento, holofotes formaram um feixe próximo às construções em ruínas. Julia Alessandra Mariano, representante da fundação, afirmou que a luz deve ajudar as pessoas a seguir em frente e a continuar construindo suas vidas. Um sacerdote encerrou a cerimônia com uma oração pelas vítimas.








