CAMPO GRANDE — Supermercados da cidade estão ajustando compras, reposições e a disposição das prateleiras diante da maior procura por alimentos frescos, produtos fit e suplementos. A mudança é associada tanto ao uso de canetas emagrecedoras quanto à busca por hábitos alimentares mais saudáveis.
A pesquisa Consumo nos Lares, da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), registrou crescimento de 2,67% no consumo real entre janeiro e julho deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. O dado indica que o volume total consumido pelas famílias nos supermercados não está diminuindo, embora alguns segmentos tenham perdido espaço para outros.
Menos procura na mercearia
O supermercado Santa Rita identificou queda nas vendas da seção de mercearia nos primeiros seis meses do ano. O setor reúne itens como arroz, bolachas e bebidas industrializadas. Segundo o gerente operacional, Vanderson Andrade, produtos que antes eram comprados a cada um mês ou 45 dias passaram a ser repostos a cada três meses.
Ao mesmo tempo, frutas, verduras, legumes e outros itens frescos passaram a exigir reposição mais rápida. A loja também diversificou a oferta de produtos fit e ampliou o espaço dedicado a eles. “Produtos que a gente comprava a cada um mês, a cada 45 dias, hoje o prazo para compra é a cada três meses”, afirmou Vanderson.
O estabelecimento funciona há oito anos na Rua José Antônio e já era procurado pela variedade de hortifrútis. Com a mudança no comportamento dos clientes, a direção decidiu reforçar essa característica, sem retirar a mercearia da loja.
Suplementos em destaque
No supermercado Legal, no Bairro Tiradentes, as promoções de hortifrúti realizadas às terças e quintas-feiras passaram a atrair mais clientes. Há um ano, whey protein e outros suplementos foram colocados perto do caixa para facilitar a compra.
A loja também passou a repor refrigerantes zero açúcar com mais rapidez do que as versões tradicionais. A gerência, porém, não relaciona todas as alterações diretamente às canetas emagrecedoras e considera que a procura também reflete o interesse por prevenção de doenças e qualidade de vida.
O supermercado Pires, no mesmo bairro, adotou a exposição mais visível dos suplementos. A gerência não informou se houve queda ou aumento nas vendas ligados ao uso dos medicamentos.
Mudança na rotina dos consumidores
Eder Oliveira, presidente da Associação Sul-mato-grossense de Mercados (AMAS), afirmou que muitos usuários das canetas passaram a fazer mais refeições em casa e a procurar alimentos frescos, refeições prontas e opções equilibradas.
A estudante Fernanda Fernandes, 18, contou que a irmã, que faz tratamento com as canetas, mantém os mesmos tipos de produtos nas compras, mas em menor quantidade.
Já a professora Arisa Kemi do Prado, 26, passou a priorizar alimentos in natura depois de iniciar uma dieta voltada à qualidade de vida. Ela não usa as canetas, mas conhece pessoas que fazem o tratamento e relaciona a mudança alimentar ao mal-estar causado por ultraprocessados em alguns casos.








