CAMPO GRANDE — Matheus Henrique de Oliveira Domingos, 24 anos, é julgado nesta sexta-feira (2), na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, pela morte de Kamyla Scarllet Fernandes Cristaldo, 28. A jovem foi baleada pelas costas em 1º de setembro de 2024 e morreu em 19 de dezembro do mesmo ano, após mais de 100 dias internada.
A acusação sustenta que o crime foi motivado pelo ciúme de Matheus em relação à amizade entre Scarllet e a então namorada dele. O réu foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima, feminicídio e porte ilegal de arma de fogo. Ele foi preso em 13 de outubro de 2025, após um ano do crime.
Família pede condenação
Familiares se reuniram em frente ao Fórum de Campo Grande durante a manhã do julgamento. Elizeth Fernandes Cristaldo, avó da vítima, contou que Scarllet havia encerrado um trabalho como freelancer e avisado que passaria na casa da amiga para tomar banho antes de voltar para casa, onde o filho pequeno a esperava.
Pouco depois, Elizeth recebeu uma ligação informando que a neta havia sido baleada. Segundo ela, Scarllet levou seis tiros. A jovem passou 30 dias no CTI e permaneceu internada na Santa Casa de Campo Grande sob cuidados intensivos.
Para ajudar nas despesas do hospital e pagar uma cuidadora, a avó afirmou que precisou fazer empréstimos bancários. Atualmente, ela tem a guarda oficial do neto, que completará 4 anos neste mês. A criança era cuidada pela bisavó enquanto a mãe trabalhava.
“Ele simplesmente atirou”, afirmou Elizeth ao lembrar o momento em que a neta foi atingida. Ela também disse que espera a condenação do acusado.
A mãe da vítima, Tatiane Fernandes Cristaldo, relatou que a família ainda aguarda a volta de Scarllet para casa e enfrenta dificuldades para assimilar a perda. Ela contou que o menino reconhece a mãe em objetos e cheiros do cotidiano, como perfume e pijama.
Acusação descreve os disparos
Conforme a denúncia apresentada pela 21ª Promotoria de Justiça do MPMS, Scarllet estava na residência onde a amiga morava. Ao sair do imóvel, ela aguardava na calçada por um veículo de aplicativo quando Matheus teria se aproximado em uma motocicleta e efetuado disparos pelas costas.
A vítima foi atingida na região cervical posterior, no pescoço. Ainda no hospital, antes de morrer, Scarllet conseguiu informar à polícia quem havia realizado os disparos.
Elizeth afirmou que buscou forças na fé para seguir cuidando do neto, mas pediu que o acusado seja responsabilizado. “Eu clamo por justiça, e eu creio que justiça será feita”, declarou.








