A falta de estabilidade acompanha a humanidade há séculos e está ligada, segundo Benedicto Ismael Camargo Dutra, ao abandono de propósitos essenciais para a vida coletiva. Para o autor, o convívio humano se tornou mais difícil porque os indivíduos, movidos pelo egocentrismo, acreditam estar sempre certos e deixam de buscar o aprimoramento da espécie e melhores condições gerais de vida.
Ao percorrer diferentes períodos históricos, Dutra cita a fundação da Igreja Roma, o Cisma em Constantinopla, as reações à reforma de Lutero, o surgimento dos Evangélicos, as ideias de Kardec sobre o espírito e as reencarnações, além da criação do Estado-Nação. Também menciona Adam Smith, Marx, o Comunismo, a Primeira Guerra, a Segunda Guerra, a criação do dólar e o Capitalismo de Estado.
Inércia e decisões coletivas
O autor afirma que as crises deixaram a população sem iniciativa e pouco preparada para os acontecimentos. Ele defende o despertar da força de vontade, o respeito às leis naturais universais e a disposição para encarar a realidade. A inércia, escreve, transforma pessoas dotadas de razão e livre-arbítrio em peças de uma engrenagem maior.
Na avaliação de Dutra, as decisões de um povo deveriam considerar o conhecimento acumulado da população, seus objetivos e sua visão de futuro. Isso, porém, seria prejudicado pela indolência espiritual e pelo embotamento mental. Com isso, líderes conduziriam as decisões conforme seus próprios interesses, dificultando o progresso da nação e a evolução da população.
No cenário atual, o texto aponta a possibilidade de ampliação do terceiro mundo e da miséria, além da perda de capacidade de autogestão por parte de países. O Brasil é citado como um país ao qual faltaram indivíduos decididos para buscar um destino próprio. O autor também relaciona a situação de esgarçamento do Estado-Nação a dívidas, déficits e à polarização pela conquista do poder.
A chamada guerra fria financeira colocaria sob pressão o Estado-Nação soberano, o trabalho estável, a moeda nacional forte, a identidade cultural fixa e o preparo das novas gerações. Sem propósitos comuns, não haveria estabilidade. Dutra defende que objetivos básicos sejam incluídos nas constituições das nações, das religiões, da ONU e de instituições globais, além de ensinados nas escolas e transmitidos entre as gerações.
Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP.







