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O projeto econômico de Bolsonaro deixou marcas além das privatizações

A gestão de Bolsonaro e Paulo Guedes combinou austeridade, redução de direitos e venda de patrimônio público, sem entregar o crescimento prometido.

Vamos privatizar as praias (memórias do governo Bolsonaro)
Foto: Vi Neves/Flickr

A experiência econômica do governo Bolsonaro precisa ser lembrada para evitar que propostas já testadas voltem com outra aparência. Entre 2019 e 2022, o PIB brasileiro cresceu, em média, 1,4% ao ano, enquanto a economia mundial avançou 2,7% e os países em desenvolvimento, 3,3%, segundo o FMI.

A política econômica defendida por Paulo Guedes tinha como pilares a austeridade, as privatizações e a redução de direitos. No período, o país voltou ao Mapa da Fome, a desigualdade aumentou e reformas alteraram regras trabalhistas e previdenciárias.

Previdência e direitos sociais

A proposta inicial para a Previdência previa trocar o regime público de repartição pela capitalização individual. Nesse modelo, cada trabalhador dependeria da própria capacidade de poupar e dos rendimentos do mercado financeiro. O Congresso rejeitou essa mudança e manteve o sistema público, mas aprovou alterações que elevaram idades e tempos de contribuição e reduziram benefícios, com impacto maior sobre os mais pobres, as mulheres e a população negra.

Paulo Guedes também propôs modificar o artigo 6º da Constituição. A ideia era vincular direitos como saúde, educação, alimentação, moradia e previdência ao chamado equilíbrio fiscal intergeracional. Com isso, a execução desses direitos ficaria subordinada às prioridades da austeridade fiscal.

Durante a pandemia, Jair Bolsonaro minimizou a doença e se opôs a medidas de proteção. Guedes afirmou que R$ 5 bilhões seriam suficientes para aniquilar o vírus e defendeu um auxílio de R$ 200 para trabalhadores informais. Pressionado pela sociedade civil, o Congresso ampliou o benefício para R$ 600.

O Auxílio Emergencial chegou a quase 68 milhões de pessoas e ajudou a manter o consumo. No fim de 2020, o governo reduziu o programa e depois interrompeu os pagamentos, mesmo com a aproximação de uma segunda onda. Em março de 2021, o país registrava cerca de três mil mortes por dia e milhões de brasileiros estavam sem benefício. O auxílio voltou em abril, com valor médio menor e alcance mais limitado.

Naquele ano, mais de 420 mil pessoas morreram de Covid-19. A pobreza alcançou 62,5 milhões de brasileiros, equivalentes a 29,4% da população, enquanto o rendimento médio real per capita caiu ao menor nível da série iniciada pelo IBGE em 2012.

Patrimônio público e combustíveis

O BNDES reduziu sua carteira de participações e perdeu capacidade de financiar investimentos de longo prazo. A Petrobras vendeu a BR Distribuidora, refinarias, gasodutos, campos de petróleo e outros ativos estratégicos. A manutenção da paridade internacional dos combustíveis também transferiu para a população os efeitos da alta do petróleo.

Em 2021, a inflação chegou a 10%. No mesmo período, a gasolina subiu 47,5%, o diesel, 46%, e o gás de cozinha, 37%. Enquanto a Petrobras distribuía dividendos extraordinários, as famílias enfrentavam uma conta de energia mais pesada.

A proposta sobre as praias

Em setembro de 2022, Paulo Guedes lamentou que o governo não pudesse vender uma praia a um grupo estrangeiro disposto, segundo ele, a pagar US$ 1 bilhão. “Quando é do governo não é de ninguém”, afirmou.

A declaração resume uma visão de patrimônio público como conjunto de ativos disponíveis para compradores, e não como riqueza coletiva. Para essa análise, a pandemia agravou a crise, mas não explica sozinha as escolhas feitas durante o governo. O projeto combinou enfraquecimento de direitos, redução da proteção social e transformação de bens públicos em oportunidades de negócio.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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