DOURADOS — Emerson Nascimento Martins, conhecido como Gibi, é apontado pela polícia como responsável por ordenar a execução de André de Jesus Rodrigues Junior, de 18 anos. O crime ocorreu na madrugada de quinta-feira (1º), em Dourados, e teria sido articulado de dentro do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande.
André morava em Rio Brilhante e foi atraído para Dourados sob o pretexto de participar de uma negociação de drogas. Ele foi morto a tiros na Rua Paulo Alberto Thiry, no Jardim das Primaveras, região oeste da cidade. A ação foi registrada por uma câmera de monitoramento de uma residência.
Emerson é apontado como liderança do PCC (Primeiro Comando da Capital). André seria integrante do Comando Vermelho.
Prisões e fuga dos suspeitos
Na sexta-feira (2), o SIG (Setor de Investigações Policiais) prendeu 2 adultos e apreendeu um adolescente suspeitos de dar apoio ao homicídio. Eles foram autuados em flagrante por posse ilegal de 3 armas e munições e por tráfico de drogas.
Os adultos foram identificados como Marcos Aparecido Barboza, de 34 anos, e Lucas Bonete de Oliveira, de 20 anos. Os dois foram encontrados no Residencial Estrela Tovy.
Lucas, conhecido como Apocalipse, admitiu que participou da ação guardando as armas e organizando a hospedagem de 3 pessoas ligadas diretamente à execução: um adolescente e dois adultos. Um deles é conhecido como Ceifador ou Tubarão; o outro foi identificado apenas como Arthur. Os dois seriam de Rio Brilhante.
Segundo o depoimento de Lucas, após o assassinato, os três voltaram para uma casa no Estrela Tovy. Na manhã seguinte, foram a uma loja e compraram roupas novas para evitar identificação. O adolescente e Arthur fugiram para Ponta Porã em um Fiat Palio branco. Ceifador retornou para Rio Brilhante.
Marcos estava com uma pistola 9 milímetros, possivelmente usada no crime. Quando os policiais chegaram, ele tentou destruir o celular.
Outro adolescente, de 16 anos, foi detido no Jardim Água Boa, na região sul de Dourados. Com ele, foram apreendidos uma pistola calibre 40, um revólver calibre 38 e munições. O jovem confessou fazer parte do PCC e afirmou que guardou as armas a pedido de Lucas.
Os dois atiradores e outro adolescente apontado como participante direto do assassinato ainda não haviam sido localizados. As investigações indicam divisão de tarefas entre quem teria dado a ordem, organizado a logística, providenciado hospedagem, executado o crime, ajudado na fuga, trocado as roupas e escondido ou distribuído as armas.
Histórico de Gibi
Emerson Nascimento Martins tem 38 anos e, conforme registros citados nas investigações, aparece há pelo menos 15 anos em ocorrências policiais e processos criminais em Mato Grosso do Sul. Ele é apontado pelas autoridades como integrante de posição de destaque no PCC no estado.
Em 2011, quando tinha 22 anos, foi preso em Campo Grande sob acusação de participar de dois assaltos com Valderi de Jesus Araújo, conhecido como Nitora. Na época, Emerson também era considerado evadido do regime semiaberto de Dourados.
Outro caso atribuído a ele ocorreu em novembro de 2017, quando Maurício Molina Matossi, de 23 anos, foi executado em uma lavoura na região de Dourados. De acordo com o processo, Emerson estava preso e teria comandado por telefone o chamado tribunal do crime que determinou a morte.
Em novembro de 2020, ele foi condenado pelo Tribunal do Júri de Dourados a 29 anos e quatro meses de prisão. A pena foi a maior entre os integrantes do grupo julgados pela execução. Outros 4 integrantes do PCC também foram condenados, e as penas somadas chegaram a 106 anos.







