A Polícia Federal apontou Victor Baptista Borges Neto, conhecido como “Victor Fio do Bigode”, como líder de uma organização criminosa investigada por agiotagem, contrabando, extorsão e lavagem de dinheiro. A Operação Nexum foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (9), com mandados de prisão contra Borges e Luciano Henrique de Almeida, que já está em uma unidade penal.
De acordo com a investigação, o grupo comercializava produtos trazidos ilegalmente do Paraguai e também eletrodomésticos comprados em marketplaces. Entre os itens estavam celulares, televisores, computadores, geladeiras e fogões. As vendas eram feitas diretamente aos consumidores, com pagamento parcelado.
O delegado da Polícia Federal Anezio Rosa de Andrade afirmou que as apurações começaram no início do ano, depois de denúncias sobre a atuação do grupo e da identificação da ostentação pública promovida por Victor. “Ele é o líder até então, mas tem outras pessoas que podem estar também nessa organização”, declarou.
Cobranças e apreensões
Quando os pagamentos atrasavam, os investigadores identificaram o uso de ameaças e armas para pressionar os devedores. Segundo Anezio, as cobranças ocorriam por WhatsApp e presencialmente, com registro de episódios envolvendo disparos de arma de fogo.
A quebra de dados telemáticos também indicou a posse de armas de uso restrito. Uma arma foi apreendida durante as buscas realizadas em endereços ligados ao grupo nos bairros Los Angeles e Mário Covas.
A Justiça Federal autorizou o bloqueio e a indisponibilidade de bens que podem alcançar até R$ 10 milhões. O valor foi calculado considerando o período de atuação da organização e a movimentação relacionada aos empréstimos ilegais.
Além de Victor e Luciano, Jefferson Pereira da Silva foi alvo de medida cautelar para uso de tornozeleira eletrônica. As equipes apreenderam sacos com celulares e outros aparelhos de origem paraguaia, eletrodomésticos nacionais sem nota fiscal, um Toyota Corolla e uma Saveiro.
As mercadorias estrangeiras serão encaminhadas à Receita Federal para os procedimentos tributários. Os itens nacionais passarão por processo de perdimento na Justiça por serem considerados produto de infração penal. Celulares e documentos recolhidos serão analisados para investigar a participação de terceiros e localizar possíveis patrimônios ocultos em nome de laranjas.








