CAMPO GRANDE — Pedro Espíndola transforma experiências com ansiedade e síndrome do pânico no álbum “Um Ensaio Sobre Transtornos de Ansiedade e Síndrome do Pânico”. O trabalho será apresentado nesta quinta-feira (17), às 19h, na Estação Cultural Teatro do Mundo, antes de chegar às plataformas digitais e ao YouTube.
A apresentação não será um show convencional. O público assistirá a um minidocumentário sobre a produção do disco, o processo criativo e o período que deu origem às músicas. O encontro também terá a participação de uma psicóloga, que abordará o tema a partir do ponto de vista profissional.
Composições durante a pausa
Em 2018, Pedro precisou se afastar dos palcos depois que a ansiedade se intensificou e evoluiu para a síndrome do pânico. Ele passou por cerca de seis meses mais recluso, próximo da família e em busca de tratamento. Ao todo, ficou aproximadamente um ano longe de atividades que envolviam maior exposição.
Foi nos primeiros meses dessa pausa que as músicas começaram a surgir. As composições, no entanto, permaneceram guardadas por anos. Depois da pandemia, ao retomar o trabalho autoral, Pedro mostrou o material ao produtor Leo Copetti. As gravações foram realizadas no Estúdio da Paz.
Três faixas são diretamente relacionadas a episódios vividos pelo músico. Outra nasceu de uma conversa com uma amiga que enfrentava depressão, enquanto uma quinta composição foi inspirada pelo sofrimento de um amigo que havia perdido uma pessoa próxima.
“Eu quis ter o máximo de literalidade possível para esse trabalho”, afirma Pedro, ao explicar a decisão de tratar de experiências que por muito tempo teve vontade de esconder. As letras, embora poéticas, foram construídas de maneira explícita e direta.
Tratamento e saúde mental
Pedro passou por psicólogo, psiquiatra e terapia, mas diz não conseguir identificar exatamente quando a ansiedade começou. Os sinais, segundo ele, foram aumentando aos poucos: primeiro veio o desconforto em lugares públicos e a vontade de voltar para casa; depois, a evitação de determinados ambientes e o receio de aceitar trabalhos.
O músico ressalta que a arte não substitui o acompanhamento especializado. Para ele, o tratamento deve ser feito com psicólogos, psiquiatras, médicos e a ciência. A música pode, na sua visão, ajudar alguém a perceber que não está sozinho, mas não oferece uma promessa de cura.
O álbum também não foi pensado apenas como um registro de sofrimento. Pedro diz que tentou manter uma esperança nas composições, sem transformar a própria experiência em uma fórmula para outras pessoas. As letras relatam momentos difíceis, mas também expressam a crença de que é possível se reerguer.
Influência da família
A história dos Espíndola na música sul-mato-grossense aparece no trabalho de Pedro, especialmente na maneira de compor, tocar violão e observar as pessoas antes de escrever. O pai e os tios, que formaram o Lírio Selvagem, são referências desde a infância.
O músico também cita influências do pop e de artistas como Beatles, Bob Dylan e Rolling Stones. Em uma das faixas, o pai toca contrabaixo. A herança familiar, segundo Pedro, também se manifesta na autocobrança que faz sobre o próprio trabalho.
Depois do evento, na madrugada de sexta-feira (18), o álbum será disponibilizado nas plataformas digitais e no YouTube. O lançamento será realizado na Rua Barão de Melgaço, 177. Como o espaço tem lugares limitados, a confirmação de presença deve ser feita pelo telefone (67) 98411-7294.







