CAMPO GRANDE — Alessandro Moreira dos Reis, acamado e dependente de respirador, está usando energia elétrica cedida por uma vizinha desde a noite de quinta-feira (10), depois que o temporal deixou a casa da família sem luz no Carandá Bosque. Até a noite desta sexta-feira (11), o imóvel ainda não havia recuperado o fornecimento normal.
A ligação improvisada tem 100 metros de cabo, passa por outra residência e entra pela janela do quarto onde o paciente permanece. A enfermeira que acompanha Alessandro identificou que uma rua lateral ainda tinha eletricidade, procurou uma moradora e pediu autorização para levar a energia até a casa.
“Ela prontamente cedeu. A enfermeira foi até a Leroy [Merlin], comprou 100 metros de cabos e fizemos a extensão”, contou Margiane Reis. Desde então, a estrutura mantém ligados o respirador, o inalador, o aspirador, o oxigênio, a bomba de infusão, o oxímetro e o colchão pneumático.
A eletricidade também é necessária para o frigobar que conserva a dieta enteral e os medicamentos usados pelo paciente. Alessandro é traqueostomizado, tem granulomatose de Wegener, diagnosticada em 2014, e está acamado há 12 anos. Ele precisa do respirador durante 24 horas por dia e de acompanhamento permanente.
Margiane afirmou temer que uma pane ou uma nova queda interrompa a extensão que mantém os equipamentos funcionando. A família apresenta à concessionária, a cada seis meses, o laudo que informa a dependência de aparelhos elétricos. “Como temos prioridade, achei que resolveriam mais rápido”, relatou.
Situação do fornecimento
A Energisa informou que 90% dos clientes já tiveram o fornecimento restabelecido. A empresa também disse que o número de equipes técnicas nas ruas é 4 vezes maior que o contingente habitual.
Segundo a concessionária, os serviços essenciais, incluindo hospitais, já foram normalizados. A empresa afirmou que continua trabalhando para regularizar o fornecimento para todos os clientes afetados pela tempestade.








