A Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou uma reunião extraordinária de ministros das Relações Exteriores para discutir a situação política da Nicarágua. O encontro poderá ocorrer depois da Assembleia Geral da ONU, no fim do mês, informou o secretário-geral da entidade, Albert Ramdin.
A decisão foi tomada após a Assembleia Nacional nicaraguense impedir, na semana passada, a participação eleitoral de pessoas classificadas como “traidores à pátria”. Controlado pelos sandinistas, o Legislativo abriu caminho para um sistema de partido único.
Pressão coordenada
Ramdin defendeu que os países-membros da OEA definam uma resposta conjunta para aumentar a pressão sobre o governo nicaraguense e iniciar um processo de diálogo. Ele afirmou que ainda não está definido como essa iniciativa funcionaria nem quem a conduziria. Uma das possibilidades citadas foi a formação de um grupo de Estados-membros.
“O que está acontecendo na Nicarágua é absolutamente inaceitável”, declarou o secretário-geral na sede da OEA.
Segundo Ramdin, existem conversas entre os Estados Unidos e os países que integram a organização. A expectativa é de que uma data para a reunião seja definida em breve, com a concordância de todos os envolvidos.
A Nicarágua deixou a OEA em novembro de 2023. O país é governado por Daniel Ortega, ex-guerrilheiro sandinista de 80 anos, e Rosario Murillo, sua esposa, de 75. Os dois ocupam a liderança presidencial.
O governo de Ortega e Murillo enfrenta pressão desde os protestos de 2018, que deixaram ao menos 300 mortos, conforme a ONU. Washington aplicou sanções econômicas contra o casal presidencial, o governo nicaraguense e entidades-chave do país centro-americano.








