A diferença entre homens e mulheres está entre os principais retratos do abandono escolar no ensino médio brasileiro. No país, 23% dos homens não concluem a etapa e deixam de estudar até dois anos depois do prazo previsto para o término. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), essa é a maior taxa registrada entre os países analisados com esse recorte.
Entre as mulheres, a probabilidade de concluir o ensino médio é sete pontos percentuais maior do que entre os homens. Considerando todos os países analisados, 14% dos homens deixam a etapa sem qualificação, ante 10% das mulheres.
Como o Brasil aparece no levantamento
O relatório avalia o que acontece com os estudantes dois anos depois do período considerado necessário para terminar o ensino médio. No Brasil, 20% dos alunos que ingressaram nessa etapa não tinham diploma e também já não estavam matriculados. Em outras palavras, um em cada cinco estudantes havia deixado o sistema sem concluir os estudos.
No mesmo momento, 79% tinham terminado o ensino médio e 1% permanecia matriculado, mas ainda não havia concluído a etapa. A taxa brasileira de conclusão ficou abaixo da média de 85% registrada no conjunto analisado pela OCDE. Na média internacional, 15% deixaram o ensino médio sem concluir e sem continuar vinculados à educação.
A conclusão chegou a 93% na Irlanda, 91% na Colômbia e 90% no Canadá e na Eslovênia. Na Dinamarca, o percentual foi de 74%.
Na educação geral, Brasil e Israel registraram uma diferença de oito pontos percentuais entre os gêneros nas taxas de abandono. No conjunto dos países, 9% dos homens deixaram essa formação sem concluir, contra 7% das mulheres.
Formação profissional tem taxas maiores
Os programas de formação profissional apresentam, em geral, abandono mais elevado do que a educação geral. A média da OCDE foi de 22% entre os homens e 18% entre as mulheres.
A organização relaciona parte da diferença ao perfil dos estudantes dessas modalidades. Em alguns países, esses cursos reúnem mais alunos com baixo desempenho acadêmico, histórico de repetência, condições socioeconômicas desfavoráveis ou menor vínculo com a escola.
O padrão não é igual em todos os sistemas. Na Suíça, onde a formação profissional é integrada à estrutura educacional, as taxas de abandono são relativamente baixas nas duas modalidades. Já na Dinamarca, na Hungria e na Lituânia, as mulheres abandonam mais os programas profissionais do que os homens. Na Lituânia, quase metade das mulheres matriculadas nessa modalidade deixa a educação sem concluir o curso. A OCDE afirma que esse resultado exige cautela porque há relativamente poucas mulheres matriculadas nesses programas no país.
Abandono é visto como processo
Para a OCDE, deixar a escola não costuma decorrer de um único acontecimento. O abandono é descrito como um afastamento acumulado ao longo do tempo, influenciado por fatores ligados ao estudante, à escola e ao sistema educacional.
Baixo desempenho, faltas frequentes, perda de motivação, condições socioeconômicas, experiências anteriores, ambiente escolar e nível de apoio oferecido aos alunos aparecem associados ao risco de abandono. A organização também cita políticas como repetência e oferta limitada de alternativas de formação profissional.
Por isso, o relatório defende que a redução do abandono não se limite a identificar quando o aluno sai da escola. A prevenção também depende do reconhecimento, ao longo da trajetória, dos sinais e das condições que podem aumentar o risco de afastamento.








