A Rússia não descartou retomar conversas com os Estados Unidos e a Ucrânia para tentar encerrar a guerra, enquanto negociadores americanos afirmaram que os encontros realizados no fim de semana abriram espaço para novos contatos diplomáticos.
A possibilidade foi mencionada nesta segunda-feira (7) pelo porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov. Ele disse que Moscou considera novamente um formato com os três países, mas que ainda não há definição sobre local ou datas.
“Também não descartamos a retomada do formato tripartite, mas ainda é muito cedo para falar sobre o local e as datas específicas”, afirmou Peskov a jornalistas. O porta-voz também agradeceu aos negociadores dos Estados Unidos e disse que cada tentativa representa um passo em direção à paz.
Reuniões em Kiev e Moscou
Os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner estiveram com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, em Kiev no domingo. Eles apresentaram a Zelensky os resultados da reunião que haviam realizado no dia anterior com o presidente russo, Vladimir Putin.
Na capital ucraniana, os dois também conversaram com delegações da Alemanha, França e Reino Unido. Witkoff escreveu no X que houve “Progressos substanciais foram feitos, incluindo a disposição de agendar novas conversas trilaterais”.
A visita foi a primeira de Witkoff e Kushner a Kiev desde o início do conflito, em 2022, após a invasão russa da Ucrânia. Um funcionário do governo ucraniano afirmou que os enviados apresentaram propostas novas e mais eficazes para encerrar a guerra.
Zelensky, porém, alertou que os combates provavelmente continuarão durante o inverno. Em uma publicação no Facebook, ele disse que se reuniu com sua equipe de negociadores para coordenar os próximos passos e preparar novas reuniões e comunicações.
Impasses nas negociações
Os representantes de Moscou e Kiev haviam se reunido pela última vez em fevereiro, em Genebra, em conversas mediadas pelos Estados Unidos. As partes não chegaram a um acordo sobre questões territoriais.
As negociações continuam paralisadas principalmente por causa do futuro do Donbass, no leste da Ucrânia. A Rússia não controla totalmente a região, mas exige mantê-la como condição para um eventual acordo de paz.
Enquanto isso, a Ucrânia intensificou medidas de represália contra a Rússia nos últimos meses, em parte para pressionar Moscou a voltar à mesa de negociações. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, também pediu a proibição urgente de armas capazes de matar sem intervenção humana, após relatos de drones totalmente autônomos usados para matar pessoas na Ucrânia.








