Uma mulher de 54 anos registrou boletim de ocorrência após ter três financiamentos de veículos de luxo registrados em seu nome. Ela afirma que nunca recebeu os automóveis nem os valores das operações e acumulou uma dívida de aproximadamente R$ 600 mil, além de multas, negativações e risco de busca e apreensão.
Os contratos envolvem uma Toyota Hilux avaliada em R$ 290 mil, um Hummer H3 com R$ 167.567,43 financiados e um Porsche Macan declarado em R$ 330 mil. O caso foi registrado como estelionato e associação criminosa na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol.
Como os financiamentos foram feitos
Segundo o boletim de ocorrência, a situação começou em setembro de 2025, quando a irmã da vítima enfrentava dificuldades financeiras. Ela foi apresentada a um homem que se identificava como empresário do ramo de veículos e usava a referência comercial “Negócios MS”.
A proposta era que a mulher aparecesse formalmente como compradora dos veículos, que seriam adquiridos por ele e seus parceiros. A promessa era transferir os automóveis e os financiamentos para os compradores reais em até seis meses. Durante esse período, os envolvidos assumiriam as parcelas, sem custo ou risco para a vítima.
Em pouco mais de dez dias, foram assinados três contratos por meio de links enviados por correspondentes. As assinaturas eletrônicas usaram biometria facial e foram feitas pelo celular da mulher.
Na primeira operação, a Toyota Hilux CD SRX Plus 4x4 2.8 teve valor de venda declarado de R$ 290 mil. A vítima diz que não recebeu a caminhonete, nenhum valor do financiamento e não pagou a entrada prevista. Um registro de venda digital permaneceu pendente no Detran-MS em seu nome.
O segundo contrato envolveu o Hummer H3, financiado em 48 parcelas. A mulher afirma que o carro não foi entregue e que nenhum valor chegou até ela. Em 21 de outubro de 2025, porém, pagou R$ 6.103,34 referentes a um boleto da operação.
No caso do Porsche Macan 4x4 2.0 TSI, ano 2015/2015, o contrato indicava R$ 130.074 de entrada e R$ 212.356,52 de financiamento. A vítima afirma que não pagou a entrada e nunca recebeu o veículo. Do financiamento, R$ 199.926 foram liberados diretamente à empresa responsável pela operação.
Pagamentos, multas e cobranças
O Porsche foi registrado em nome da mulher com alienação fiduciária, embora tenha permanecido com terceiros. Entre novembro de 2025 e maio de 2026, o veículo acumulou cinco autos de infração, incluindo uma multa por trafegar em velocidade superior à máxima permitida em mais de 50%. A vítima diz que não conduzia o carro nem autorizou seu uso.
Após a contratação, integrantes do grupo passaram a pedir que a mulher e a irmã fizessem PIX para pessoas físicas e jurídicas ligadas aos envolvidos. Os valores eram apresentados como pagamentos de parcelas, despesas e manutenção das operações. Entre 21 de outubro de 2025 e 30 de junho de 2026, foram realizadas 20 transferências, que somaram aproximadamente R$ 180.917.
Um dos destinatários teria sido o pai de um dos envolvidos, com recebimentos de aproximadamente R$ 32.712. Para a vítima, os pagamentos mantiveram uma aparência de regularidade e impediram que a fraude fosse percebida.
O prazo de seis meses para a transferência dos veículos terminou em março de 2026, sem que nenhuma mudança fosse feita. Em abril de 2026, dois contratos entraram em inadimplência, e o nome da mulher foi inscrito em cadastros de proteção ao crédito.
O terceiro financiamento continua sendo debitado automaticamente em parcelas de aproximadamente R$ 6.735,51. Até 17 de agosto de 2026, a vítima havia desembolsado aproximadamente R$ 67.897,63 nessa operação, enquanto o saldo devedor permanecia em cerca de R$ 184.064,84.
Ela também passou a receber mensagens de cobrança com anúncios de busca e apreensão dos veículos e restrição de ativos. Os contatos se identificavam como integrantes ou representantes de escritórios de advocacia e ofereciam renegociações por prazo limitado.
A mulher afirma que não pretendia adquirir os veículos, não escolheu os modelos, não negociou os preços e não recebeu os carros nem os valores dos financiamentos. Ela informou ter contratos, comprovantes de PIX, extratos bancários, documentos dos veículos, CRLV-e, registros do Detran, autos de infração, mensagens e documentos relacionados à negativação para apresentar à polícia.






