CAMPO GRANDE — O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) iniciou oficialmente sua atuação em Mato Grosso do Sul durante um encontro realizado na quinta-feira (17), em Campo Grande. O ato reuniu o coordenador Guilherme Boulos, integrantes do movimento e moradores de comunidades da região.
A organização local deverá acompanhar reivindicações relacionadas à moradia, à regularização fundiária e ao acesso a serviços básicos. Boulos participou do lançamento durante uma passagem pelo estado e afirmou que o movimento se aproxima de 30 anos de existência. “É uma honra, porque é uma luta coletiva. O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto vai completar 30 anos”, declarou.
Entre os participantes estava Heloisa Leguir Fernandes, de 40 anos, moradora da comunidade Lolita. A área começou a ser ocupada em 2014, entre o Indubrasil e o Polo Industrial, e reúne cerca de 60 famílias que ainda aguardam a regularização. Segundo Heloisa, parte das barracas antigas foi substituída por casas de alvenaria, mas os moradores continuam sem água e luz.
A permanência no local ou a transferência para outra moradia está entre os pedidos apresentados por ela. “Se eles não regularizarem, que deem um sinal para a gente ou deem uma casa melhor para a gente, porque a gente não tem água nem luz aí”, disse.
O coordenador nacional do MTST, Clayton Veloso, afirmou que representantes do movimento já visitaram comunidades de Campo Grande antes do lançamento. Nessas visitas, foram levantadas demandas sobre regularização e permanência das famílias, incluindo o caso de uma comunidade sob risco de despejo.
Veloso também relatou que sua participação na luta por moradia começou depois que perdeu a casa onde vivia em São Paulo (SP), em 2013. Em Mato Grosso do Sul, Abílio Cesar Borges será um dos coordenadores da organização, que pretende atuar principalmente nas questões urbanas e na busca por moradia.
O encontro ainda recebeu moradores de áreas rurais. Argemiro Soares de Oliveira vive há 26 anos no PA Conquista, localizado no km 16 da MS-080, no trecho de saída de Campo Grande para Rochedo. Ele planta alimentos e cria animais e afirmou que participou por considerar a organização coletiva uma forma de encaminhar reivindicações.








