CAMPO GRANDE — Os dois operários que morreram no desabamento de uma estrutura do Mister Júnior trabalhavam sem registro em carteira e não haviam recebido orientações sobre os riscos do canteiro. As constatações foram feitas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) durante uma fiscalização realizada nesta terça-feira (8).
A obra fica na Avenida Raquel de Queiroz, no Bairro Aero Rancho, e ainda estava em construção quando ocorreu o acidente. O procurador do Trabalho Paulo Douglas de Moraes afirmou que a perícia ainda será necessária para esclarecer como a estrutura caiu, mas a fiscalização já encontrou indícios de descumprimento de obrigações trabalhistas.
A integração de segurança deveria apresentar aos trabalhadores as atividades que seriam realizadas, os perigos do ambiente e as medidas de proteção indicadas. De acordo com o procurador, esse procedimento não foi realizado. A falta de registro também será analisada no procedimento do MPT, que poderá buscar indenizações para os trabalhadores feridos e para as famílias dos mortos.
Investigações sobre o desabamento
A apuração reúne o MPT, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Polícia Civil. Relatórios e laudos deverão avaliar as condições da obra, os materiais usados e a sequência de acontecimentos que terminou no colapso. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ficará responsável pela parte criminal junto com a Polícia Civil.
Paulo Douglas disse que ainda não é possível apontar a causa do acidente. A força do vento no momento da queda está entre as hipóteses avaliadas, embora o procurador tenha questionado o fato de a estrutura ter cedido antes da instalação do telhado. A qualidade do material pré-moldado e a existência e adequação dos equipamentos de proteção individual também serão examinadas.
O procurador afirmou que não é possível antecipar se uma linha de vida teria evitado as mortes. Partes da estrutura atingiram três caminhões e destruíram completamente a cabine de um deles. Eventuais punições poderão ocorrer nas áreas administrativa e cível trabalhista.
O Grupo Mister Júnior lamentou o acidente, informou que acompanha a situação das vítimas e disse que a obra é realizada por uma empresa terceirizada. A HB Pré-Fabricado Ltda., apontada entre as empresas que serão investigadas, ainda não havia se manifestado.
O acidente
O desabamento aconteceu por volta das 14h de sexta-feira (4), quando cerca de dez pessoas trabalhavam no local. A estrutura tinha aproximadamente 14 metros de altura. Willian Douglas Souza Cabral, de 39 anos, e Joel Oliveira da Silva, de 41, morreram no local. Outros dois trabalhadores ficaram gravemente feridos e foram levados à Santa Casa de Campo Grande.
No sábado (5), o Crea-MS esteve no canteiro e verificou inicialmente a documentação da obra. Segundo o conselheiro Sidiclei Formagini, a empresa responsável possui registro e profissional habilitado como responsável técnico. Os dados levantados até aquele momento indicavam regularidade documental. Outros documentos ainda serão encaminhados à Câmara de Engenharia Civil do conselho.








