PONTA PORÃ — A morte de Wandete Góis da Silva, de 58 anos, passou a ser registrada como feminicídio pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Ela foi atropelada pelo marido em 2 de agosto, na BR-463, após participar de uma confraternização de caminhoneiros com o então companheiro.
A mudança fez o número de feminicídios registrados em agosto chegar a oito e elevou para 27 o total contabilizado no Estado em 2026. Wandete ocupa a 20ª posição na ordem cronológica dos casos, conforme o painel da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
Investigação
O atropelamento ocorreu no km 102 da BR-463, na região de Sanga Puitã, a 313 quilômetros de Campo Grande. O registro inicial classificava a morte como homicídio culposo na direção de veículo automotor, quando não há intenção de provocar o resultado.
O marido de Wandete, de 49 anos, foi preso em flagrante no dia seguinte ao atropelamento, mas acabou colocado em liberdade pela Justiça enquanto a investigação prosseguia.
A perícia encontrou, próximo ao corpo, um fragmento de plástico que depois foi relacionado ao caminhão conduzido pelo suspeito. O veículo foi localizado estacionado em frente à residência do casal, com o para-lamas de uma das rodas do lado esquerdo quebrado.
Documentos da investigação registram que o exame comparativo apontou que o fragmento recolhido na rodovia pertencia ao caminhão usado pelo marido. Na ocasião, a Polícia Civil havia considerado que a morte tinha sido provocada sem intenção e formalizou a prisão com base em crime de trânsito.
A nova classificação consta no painel da Sejusp. O advogado do suspeito não respondeu à tentativa de contato telefônico para comentar a alteração. A Polícia Civil também não informou, no prazo de uma hora, os motivos da mudança, o estágio da investigação ou a situação atual do suspeito.







