O julgamento do ex-major Sergio Roberto de Carvalho foi retomado na segunda-feira (dia 7), na Bélgica, e pode se estender por até quatro semanas. O processo reúne 32 réus e trata da importação de 16 toneladas de cocaína pelo porto de Antuérpia.
A Justiça da Bélgica informou que as audiências teriam duração de ao menos quatro semanas, com sessões em todos os dias úteis. O tempo final, porém, dependerá da duração das alegações apresentadas no tribunal.
Estrutura do julgamento
Uma das polêmicas envolve a caixa de vidro onde os acusados precisam permanecer. Alguns advogados reclamam que a estrutura dificulta a comunicação com seus clientes.
As audiências anteriores ocorreram em uma sala menor, com policiais mascarados e armados próximos aos detentos. O julgamento foi reiniciado com três novos juízes depois que o Tribunal de Apelação de Gante decidiu que os magistrados anteriores não poderiam continuar no cargo.
O caso aponta que a cocaína seria transportada ao porto de Antuérpia sob a cobertura de uma empresa de purificação de água. De acordo com o tribunal, Sergio Roberto de Carvalho e Flor Bressers são considerados figuras-chave. A carga é avaliada em centenas de milhões de euros.
Trajetória de Sergio Roberto de Carvalho
Conhecido como “Escobar brasileiro”, Carvalho atuou na Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. Ele foi preso em 2022, na Hungria, após anos foragido, e extraditado para a Bélgica em junho de 2023, sob forte esquema de segurança. O ex-major nega participação no esquema.
No Brasil, a operação contra o tráfico internacional de drogas bloqueou R$ 400 milhões em bens e imóveis dos investigados. Entre os itens estão carros de luxo, joias, imóveis e 37 aeronaves. Uma delas foi avaliada em 20 milhões de dólares.
Em Portugal, foram apreendidos 12 milhões de euros em uma van encontrada em um imóvel ligado ao ex-major. Na Espanha, uma mansão de Carvalho foi avaliada em 2,5 milhões de euros.
Em novembro de 2020, ele fugiu de uma ação da Polícia Federal durante a operação Enterprise. A comparação com o narcotraficante colombiano Pablo Escobar motivou uma ação na Justiça de Mato Grosso do Sul contra a imprensa; a alcunha desagrada ao ex-major.







