CAMPO GRANDE — Grupos de WhatsApp mantidos por moradores de diferentes bairros de Campo Grande funcionam como redes de apoio para compartilhar alertas, relatar furtos e comunicar situações consideradas suspeitas. A orientação de especialistas em segurança pública é observar, informar as autoridades e não tentar resolver as ocorrências por conta própria.
No bairro Rita Vieira, há grupos por rua e espaços voltados a assuntos gerais e ao comércio. Mensagens sobre veículos estacionados, movimentações incomuns e pessoas entrando em imóveis ajudam os vizinhos a acompanhar o que acontece enquanto parte dos moradores está fora de casa. A vice-presidente do bairro, Yara Alves Leite, afirma que a comunicação permite que um morador ajude o outro quando surge algum problema.
A entrada de novos participantes é intermediada por um morador, em contato com a administração. Quem descumpre as regras pode ser suspenso ou excluído. Yara diz que os grupos não tratam de religião nem de política, para manter o foco nas questões do bairro. Segundo ela, a Guarda Civil Metropolitana também presta apoio quando é acionada.
Grupos surgiram após invasões
Na Nova Campo Grande, a agente de saúde Cristiane Macedo de Almeida participa da administração de um grupo criado há cerca de cinco anos, depois de episódios de invasão de residências. A casa dela foi atingida, mas nada foi levado, segundo seu relato.
Os participantes acompanham mensagens ao longo do dia e avisam sobre movimentações que chamam a atenção. Em uma ocasião, moradores receberam a informação de que alguém havia pulado o muro de uma casa, foram até o local e chamaram a polícia. Cristiane resume o objetivo da iniciativa como uma forma de apoio entre os vizinhos.
Na região do Prosa, no norte de Campo Grande, Elias Camilo dos Santos coordena uma rede distribuída em 3 grupos, com participantes de Nova Lima, Mata do Jacinto e Autonomista. A rede existe há mais de 5 anos e reúne moradores, empresários e integrantes das forças de segurança.
Orientação é comunicar, não confrontar
O policial civil Giancarlo Miranda, presidente da Confederação Brasileira de Policiais Civis, considera os grupos úteis para a prevenção quando facilitam o envio de informações às forças de segurança. Ele recomenda, porém, que os moradores não façam abordagens, perseguições ou intervenções hostis.
Para Miranda, a contribuição da vizinhança deve ser observar e comunicar. A polícia é responsável por avaliar as condições de segurança, possíveis envolvidos e o apoio necessário antes de agir. Sair de casa para intervir pode expor o morador e deixar sua residência desprotegida.
As orientações são acionar a polícia diante de uma possível ocorrência, não perseguir pessoas ou veículos, evitar confrontos e preservar a própria segurança.







