SÃO PAULO — Fausto Silva, o Faustão, afirmou que ainda está em recuperação depois de passar por quatro transplantes de órgãos em um intervalo de dois anos. O apresentador recebeu um novo coração, dois rins e, posteriormente, um fígado. Em entrevista à TV Globo, ele também falou sobre a importância de registrar e comunicar à família a decisão de ser doador.
Antes do transplante cardíaco, Faustão enfrentava uma insuficiência cardíaca grave. Fernando Bacal, vice-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein e especialista em transplantes, explicou que o apresentador havia passado por outros tratamentos e que a cirurgia foi realizada quando o coração estava na fase final de funcionamento.
“Antes de fazer o transplante no coração, estava com três cartões amarelos. Eu já estava no bico do corvo”, relembrou Faustão.
O apresentador disse que hoje não tem restrições alimentares, pesa 82 kg e continua em recuperação. Quando fez o transplante, estava com 72 kg. A rotina inclui tai chi chuan, musculação e fisioterapia. Ele também relatou que passou muito tempo internado e saiu do hospital com dores nas costas e outros problemas, mas afirmou não ter tido complicações com os transplantes.
Registro da vontade de doar
Durante a entrevista, Faustão destacou que a família precisa saber qual era a vontade do possível doador. A legislação brasileira exige autorização expressa dos familiares depois da morte, mesmo quando a pessoa deixou registrada a intenção de doar órgãos.
A Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) permite formalizar essa decisão. Criado há dois anos pelos Cartórios de Notas e regulamentado nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o documento fica disponível no Sistema Nacional de Transplantes e pode ser consultado por médicos e autoridades.
No Estado de São Paulo, quase nove mil pessoas já fizeram o registro digital. Pelo menos 23 mil aguardam um órgão no estado. Para Maria Clara Correa, de 61 anos, a decisão de preencher a autorização foi influenciada pela experiência do sogro, que enfrentou um problema renal, entrou na fila e morreu sem receber um transplante.
“Meu sogro teve um problema renal, estava na fila, mas acabou morrendo sem receber um transplante”, contou Maria Clara.
Como fazer a autorização
O formulário está disponível no site oficial da AEDO. O interessado deve apresentar documentos de identificação e um comprovante de residência, escolher entre doar todos os órgãos e tecidos reaproveitáveis ou selecionar itens específicos e participar de uma breve videochamada com um cartório para confirmar a identidade. O procedimento é gratuito.
É possível indicar coração, pulmão, fígado, rim, intestino, córnea e medula óssea. A autorização pode ser revogada ou alterada gratuitamente pela plataforma, caso a pessoa mude de opinião.
Documentos de identificação também podem registrar a intenção de doar, mas funcionam apenas como um alerta visual para médicos e familiares. Na AEDO, a informação fica vinculada ao sistema de transplantes.
Doadores e transplantes em São Paulo
São Paulo terminou 2025 com 1.363 doadores de órgãos, ante 1.023 em 2024, uma alta de 33%, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-SP). No mesmo período, foram realizados 8.875 transplantes, 564 a mais que em 2024.
A recusa das famílias caiu 1,3 ponto porcentual, mas ainda representa 45% dos casos. Em 2024, cerca de 27% das notificações registradas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) resultaram em doações efetivas.
Giselle Oliveira de Barros, diretora do Colégio Notarial do Brasil-SP e responsável pela implementação nacional do serviço, afirmou que a ideia da autorização surgiu na seccional do Rio Grande do Sul, onde começaram a ser feitas gratuitamente escrituras de doação de órgãos. Segundo ela, o registro antecipado pode ajudar os parentes a tomar uma decisão em uma situação irreversível, quando o tempo para aproveitamento dos órgãos é limitado.







