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Como os diferentes ritmos do tempo moldam a vida e a sociedade

A vida depende da renovação constante da matéria, enquanto células, ecossistemas, clima e sociedades seguem ritmos próprios.

Como os diferentes ritmos do tempo moldam a vida e a sociedade

A permanência dos seres vivos é resultado de uma mudança contínua. Átomos entram e saem dos corpos, enquanto as células substituem moléculas antigas por novas. Esse processo, conhecido na biologia como turnover, é acelerado pelo metabolismo e sustenta a organização temporária que permite a existência da vida.

A energia que mantém essa dinâmica remonta à expansão iniciada há 13,8 bilhões de anos, cuja origem ainda é desconhecida. Desde então, a matéria permanece em movimento. A fotossíntese tem papel central nesse ciclo: captura o CO2 da atmosfera e usa a energia do Sol para organizar nutrientes que sustentam os demais seres vivos.

Os ritmos dessa substituição não são iguais para todas as moléculas, células e estruturas. Por isso, os organismos podem ser compreendidos como mosaicos temporais. Durante o desenvolvimento dos órgãos, por exemplo, células sobrevivem ou morrem em diferentes momentos. O nascimento e a morte também integram essa sequência, marcada pela passagem do tempo cronológico.

Do relógio da natureza ao ritmo das sociedades

A vida está conectada a ciclos maiores. A rotação da Terra alterna luz e escuridão em períodos de aproximadamente 24 horas, influenciando o sono, a atividade celular e o metabolismo. As estações também orientam a produção de flores e frutos. Esses ciclos se refletem no funcionamento dos ecossistemas.

A erupção do Monte Tambora, na Indonésia, em 1815, mostra como diferentes escalas temporais podem se cruzar. Os aerossóis lançados na atmosfera contribuíram para o chamado “ano sem verão” em 1816. O frio, as chuvas excessivas e a redução da radiação solar comprometeram colheitas em partes da Europa e da América do Norte.

Os efeitos não ocorreram todos ao mesmo tempo. A atmosfera foi alterada, a agricultura sofreu depois e as sociedades reagiram em outro ritmo, com estoques menores, preços mais altos, fome, endividamento e migração. No verão de 1816, às margens do lago de Genebra, Mary Shelley começou a imaginar sua criatura. O episódio também ajuda a observar como processos físicos podem produzir desdobramentos econômicos, políticos e culturais sem determinar sozinhos esses acontecimentos.

Uma célula pode substituir moléculas em ritmos distintos; uma árvore leva décadas para crescer; uma floresta precisa de séculos para se organizar; e a atmosfera pode transportar, em meses, efeitos de uma erupção ocorrida distante. As sociedades, por sua vez, podem levar anos para transformar uma má colheita em migração, revolta ou mudança política.

Na avaliação do sociólogo alemão Hartmut Rosa, a modernidade está ligada à aceleração social. A sociedade precisa acelerar para continuar sendo o que é, mesmo quando a economia de tempo produz a sensação de que há cada vez menos tempo disponível.

A ideia central é que a permanência depende da impermanência. O mesmo paradoxo pode ser aplicado à sociedade: para permanecer, ela parece precisar mudar continuamente e em velocidade crescente. Nesse processo, diferentes relógios — da matéria, da vida, do clima e da história — são pressionados a funcionar no mesmo ritmo.

Marcos Buckeridge é professor do Instituto de Biociências da USP (Universidade de São Paulo).

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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