Ideias para a sua casa
Brasil

MPMS denuncia 11 por esquema de corrupção e facilidades em presídios de Dourados

Acusação envolve servidores, uma advogada e presos; juiz recebeu a denúncia e tornou os investigados réus em 28 de julho de 2026.

MPMS denuncia 11 por esquema de corrupção e facilidades em presídios de Dourados
Foto: Arquivo

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou 11 pessoas por suspeita de integrar uma organização criminosa que teria atuado no sistema penitenciário de Dourados. A acusação reúne crimes como corrupção, entrada clandestina de celulares, tráfico de drogas, favorecimento a presos e fraudes em contratações públicas.

A denúncia foi apresentada à 2ª Vara Criminal de Dourados em 8 de julho, com base em uma investigação da Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado), ligada à PF (Polícia Federal), durante a Operação Sátrapa, deflagrada em 13 de fevereiro de 2025. O juiz Marcel Goulart Vieira recebeu a acusação em 28 de julho de 2026 e tornou os 11 denunciados réus.

Entre os acusados estão policiais penais, uma advogada e presos apontados como ligados ao Comando Vermelho. O MPMS identifica como lideranças Aline Guerrato, Luis Élio Gonçalves Filho, conhecido como “Cabeça de Porco”, e os policiais penais Mauro Pereira dos Santos e Rangel Schveiger.

Pagamentos e entrada de celulares

Rangel foi diretor da Penitenciária Estadual de Dourados até fevereiro de 2025, quando acabou preso na operação e afastado do cargo. Mauro ocupava a chefia da disciplina. Conforme a acusação, os dois teriam recebido R$ 9 mil de Herberte Gonçalves Mareco para facilitar a entrada de um celular na unidade.

Em outro caso, o MPMS afirma que Mauro e Rangel receberam R$ 300 mil de Eduardo de Jesus de Oliveira. O dinheiro teria sido pago para que Eduardo controlasse a venda de drogas e circulasse armado com uma pistola calibre 9 milímetros dentro do presídio.

Mauro e Rangel respondem por corrupção passiva. Eduardo e Herberte foram denunciados por corrupção ativa. Luciano da Silva Cunha, chamado de “Pescoço de Frango”, também foi incluído nessa frente. Ele seria pessoa de confiança de Eduardo e teria intermediado a comercialização das drogas, mantendo contato direto com Rangel.

A acusação também atribui a Mauro e Rangel a facilitação da entrada de aparelhos celulares na Penitenciária Estadual de Dourados. Em janeiro de 2024, câmeras teriam registrado Mauro transportando 2 celulares e carregadores durante o plantão. Segundo o MPMS, um dos aparelhos passou pela portaria sem ser submetido ao scanner.

Benefícios e documentos para presos

A advogada Aline Guerrato e Luis Élio Gonçalves Filho são acusados de oferecer vantagens a servidores entre 2023 e 2024. De acordo com o Ministério Público, os pagamentos buscariam garantir vagas de estudo, trabalho e leitura, transferências, privilégios e mudanças na rotina carcerária para Luis Élio e outros presos.

Eduardo Trigueiro dos Santos Silva, policial penal, teria recebido valores de Aline e Luis Élio entre dezembro de 2023 e março de 2024. Parte dos repasses teria ocorrido por Pix e parte em dinheiro. Em troca, ele teria produzido, alterado ou acelerado documentos e laudos relacionados à remição de pena e a outros procedimentos da execução penal.

Aluizio Boteiro Chastel Villazante é acusado de receber R$ 10 mil entre agosto e setembro de 2024, quando era vice-diretor da Penitenciária da Gameleira II, em Campo Grande. O MPMS afirma que mensagens indicariam o repasse e que o dinheiro teria sido apresentado como destinado a presos para uso na cantina. A acusação sustenta, porém, que Aluizio teria usado o cargo para facilitar a entrada dos valores ou deixar de cumprir a fiscalização.

Gislaine de Souza Fonseca Schveiger, que dirigia o Patronato de Dourados, responde por suposta fraude em contratação pública. Segundo o MPMS, ela teria pedido três orçamentos a duas pessoas para montar um procedimento que deveria contar com propostas de fornecedores independentes.

Acusações contra Rangel

Rangel reúne o maior número de acusações individuais. Além de corrupção passiva, entrada de celulares e organização criminosa, ele responde por duas supostas fraudes em contratações, advocacia administrativa e violação de sigilo funcional.

Em um dos episódios, entre novembro e dezembro de 2023, ele teria solicitado a um fornecedor orçamentos de empresas diferentes para criar uma aparência de concorrência e favorecer uma empresa já escolhida. Em outro, entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024, teria pedido propostas distintas durante uma negociação envolvendo a mesma empresa.

O ex-diretor também é acusado de agir em benefício de presos ou familiares. A denúncia menciona pedidos relacionados a Lohan Marchesi de Brito e Luis Élio, incluindo mudança de raio e inclusão em setor de trabalho para obtenção de remição de pena.

Outro episódio envolve Hermógenes Aparecido Mendes. Rangel teria tentado intermediar a transferência dele da Gameleira II, em Campo Grande, para Dourados. A mudança não teria ocorrido, e o preso está atualmente no sistema penitenciário federal.

O MPMS ainda afirma que Rangel revelou a servidores da Penitenciária Estadual de Dourados e a Mauro a existência da investigação da Ficco. A acusação também aponta demora na entrega de documentos solicitados pelos investigadores.

Decisão judicial e defesas

Segundo o Ministério Público, a organização teria funcionado entre setembro de 2023 e fevereiro de 2025, período em que Rangel dirigia a Penitenciária Estadual de Dourados. A estrutura incluiria servidores, presos e pessoas que atuavam fora das unidades.

Ao apresentar a denúncia, o MPMS pediu a perda dos cargos públicos de Aluizio, Eduardo Trigueiro, Gislaine, Mauro e Rangel em caso de condenação. Também solicitou a definição de um valor mínimo para reparar os danos atribuídos aos crimes.

Ao receber a denúncia, o juiz Marcel Goulart Vieira negou o afastamento e a retirada do acesso aos sistemas de informação dos servidores que continuam trabalhando. “Verifica-se que os fatos datam do ano de 2024”, afirmou o magistrado ao justificar a decisão.

A Agepen informou que acompanha as investigações e adotou as medidas administrativas necessárias na época dos fatos. A defesa de Mauro Pereira dos Santos contesta as acusações, questiona a individualização dos supostos pagamentos e pede acesso completo às provas digitais.

A defesa de Rangel informou que ele ainda não havia sido citado. O advogado Werton Araújo de Brito declarou: “Acreditamos que durante o processo conseguiremos provar essa inocência para que ele seja absolvido no final”. As defesas dos demais denunciados não foram localizadas.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5