CAMPO GRANDE — Matheus Henrique de Oliveira Domingues, de 24 anos, foi condenado a 17 anos de prisão pela morte de Kamyla Scarllet Fernandes Cristaldo, de 28 anos. O júri reconheceu homicídio qualificado e feminicídio, mas absolveu o réu da acusação de porte ilegal de arma de fogo.
O crime aconteceu em setembro de 2024. Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Kamyla estava na frente da casa onde morava quando aguardava uma motocicleta de aplicativo. Matheus se aproximou e fez vários disparos. Dois tiros atingiram o pescoço da vítima.
Após o ataque, Kamyla foi levada para a Santa Casa. Ela ficou internada por três meses, permaneceu em coma, ficou tetraplégica e morreu em razão dos ferimentos. A sentença considerou essas circunstâncias ao estabelecer a pena.
Decisão do júri
O Ministério Público pediu a condenação por homicídio com três qualificadoras: motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio por menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
A defesa alegou que Matheus não era o autor do crime, pediu a retirada das qualificadoras e sustentou que o caso poderia ser classificado como lesão corporal seguida de morte. Também solicitou a absolvição por clemência e no processo por porte ilegal de arma.
Durante o depoimento, Matheus negou ter participado da morte e afirmou que era acusado injustamente. Ele disse ao juiz Aluízio Pereira dos Santos que a convivência com Kamyla havia durado cerca de dois meses e que os dois só discutiram por causa da segurança da casa. Também negou desavenças motivadas por ciúmes.
Os jurados rejeitaram as principais teses da defesa e consideraram o acusado culpado pelas três qualificadoras. A absolvição ficou restrita à acusação de porte ilegal de arma de fogo.
Família fala em justiça
A família de Kamyla afirmou que a condenação trouxe alívio, embora esperasse uma pena maior. Elizeth Fernandes Cristaldo, chamada de “mãe velha” da vítima, relatou que o filho pequeno de Kamyla ainda pergunta pela mãe.
O tio da vítima, Flávio Chacall, disse que a família está satisfeita com a decisão. A pena, segundo ele, levou em conta a legislação vigente na época do crime, cometido 45 dias antes da mudança na lei do feminicídio.
“Essa condenação de 17 anos nos acalenta”, afirmou Flávio Chacall.








