CEUTA — A retirada de migrantes da praia do Trampolín começou neste domingo (4), mas pode não ser concluída. A Polícia Nacional informou que o deslocamento será suspenso caso o acampamento temporário preparado pelas autoridades fique sem vagas.
A operação ocorre antes da visita dos reis da Espanha, Felipe VI e Letizia, marcada para 13 de outubro. Será a primeira viagem de Felipe VI a Ceuta desde sua ascensão ao trono, em 2014. A agenda também inclui Melilla, outro enclave espanhol no Norte da África.
Destino dos migrantes
Os migrantes serão encaminhados inicialmente a um centro de atendimento de estrangeiros, onde passarão por identificação. Depois, serão levados ao acampamento provisório montado pelas autoridades.
“Está sendo realizada uma primeira fase de desocupação dos imigrantes”, disse uma porta-voz da Polícia Nacional em Ceuta. A representante também alertou para a possibilidade de parte das pessoas continuar na praia, caso não haja espaço suficiente para o traslado.
Cerca de 350 agentes participam da ação, apoiados por várias viaturas, soldados e veículos militares blindados. O local é considerado o maior assentamento irregular formado depois da entrada maciça de pessoas vindas do Marrocos no final de julho.
Estrutura na praia
As autoridades calculam que 3.000 pessoas estejam instaladas na área. Elas dormem em barracas improvisadas com pedaços de madeira e lonas e recebem alimentação diária da Cruz Vermelha.
Ceuta tem pouco mais de 80.000 habitantes. Nos dias 30 e 31 de julho, a cidade registrou a entrada de mais de 70.000 migrantes vindos do Marrocos. Mais de uma centena morreu, principalmente no mar, conforme autoridades de Madri e Rabat.
A maior parte retornou nas horas seguintes, mas milhares permaneceram na cidade autônoma. Desde então, foram registradas tensões e manifestações quase diárias de moradores, que pedem o retorno à normalidade. O Marrocos reivindica a soberania sobre Ceuta e Melilla, o que aumenta o risco diplomático da visita dos monarcas.








