A proposta para aproximar o Canadá da União Europeia (UE) ainda não tem respaldo jurídico definido nos tratados do bloco e precisará passar pela aprovação dos 27 Estados-membros. Mesmo assim, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, defendeu a iniciativa nesta quinta-feira (17), durante visita ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
A ideia foi apresentada na quarta-feira (16) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Ela sugeriu que o Canadá se torne o primeiro “membro associado” da UE e propôs ampliar a cooperação em tecnologia, defesa e energia. Também ofereceu ao país a possibilidade de participar de um futuro “Conselho Europeu de Segurança”, planejado com o Reino Unido e a Noruega.
A reação de Donald Trump elevou a tensão em torno do plano. O presidente dos Estados Unidos classificou a proposta como um “ato hostil” e ameaçou aplicar tarifas ou interromper o comércio com a Europa caso considere que a iniciativa tenha má intenção.
“A proposta para reforçar nossa parceria com o Canadá não é direcionada contra ninguém”, afirmou Olof Gill, porta-voz de Comércio da Comissão Europeia. Bruxelas também sustenta que a aproximação não é uma medida contra Washington.
Defesa da autonomia canadense
Carney afirmou que o país deve manter liberdade para definir sua cultura, seu idioma e os acordos internacionais que pretende assinar. No Parlamento Europeu, declarou que Canadá e Europa compartilham valores e que a cooperação pode fortalecer as democracias sem a intenção de dominar outros países.
O primeiro-ministro disse ainda que pesquisas mostram apoio amplo dos canadenses a relações mais próximas com a Europa. A proposta recebeu aplausos dos eurodeputados, assim como a fala de Von der Leyen na apresentação do convite.
O formato de “membro associado” não existe atualmente nos tratados da UE, e ainda não está claro quais seriam seus efeitos práticos. A Alemanha já havia oferecido esse status à Ucrânia, com a possibilidade de participação em reuniões e cúpulas europeias, mas sem direito a voto.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que o país apoia vínculos mais estreitos com o Canadá, mas disse que o projeto ainda precisa ser debatido e analisado.
Canadá e UE já mantêm cooperação por meio do acordo de livre comércio CETA. Desde 2016, o comércio de produtos e serviços entre as duas economias aumentou mais de 80%. Neste ano, o Canadá também se tornou o primeiro país de fora do bloco a aderir a um programa de empréstimos para a defesa.







