CAMPO GRANDE — A Paróquia São Sebastião, no bairro Monte Castelo, celebrou nesta segunda-feira (7) o primeiro aniversário da canonização de Carlo Acutis. A programação começou com o Terço do Milagre, por volta das 18h30, e seguiu com a missa de ação de graças, marcada para as 19h. Antes da celebração, a igreja já estava cheia, enquanto cerca de 20 pessoas acompanhavam do lado de fora.
Durante a missa, o padre Marcelo Tenório relembrou a história de pétalas de rosas trazidas da Itália durante as viagens relacionadas ao processo de beatificação e canonização do jovem. Segundo o sacerdote, muitas permaneciam vermelhas e conservadas por longos períodos. Algumas, afirmou, apresentavam gotas semelhantes ao orvalho.
“Quando nós íamos à Itália cuidar do processo, trazíamos de lá muitas pétalas de rosas, que a gente distribuía na missa. E 90% dessas pétalas não murchavam”, contou o padre.
As flores foram distribuídas a devotos de diferentes regiões do País. Com o passar dos anos, todas as pétalas vindas da Itália foram doadas. As usadas na celebração desta segunda-feira tinham outra origem e foram abençoadas com a relíquia de Carlo Acutis.
Pétalas e devoção
O costume de abençoar flores também ocorre às quintas-feiras, durante a novena no Santuário São Carlo Acutis e Nossa Senhora Aparecida. De acordo com padre Marcelo, as pétalas utilizadas nessas ocasiões murcham normalmente e não apresentam o fenômeno atribuído às flores trazidas da Itália.
Depois da bênção, os fiéis levam as pétalas para casa. Alguns fazem chá ou colocam as flores na água, prática que também é adotada por devotos italianos. Para o sacerdote, o gesto é uma maneira de manter Carlo mais próximo.
A ligação entre Campo Grande e o santo está relacionada ao milagre reconhecido pela Igreja Católica para sua beatificação. O caso ocorreu na cidade, em 12 de outubro de 2013, e envolveu Matheus Lins Vianna, que tinha 3 anos e sofria de uma anomalia congênita no pâncreas. Durante uma celebração, o menino tocou uma relíquia de Carlo enquanto a família pedia sua intercessão. A recuperação foi investigada e reconhecida pelo Vaticano como milagre.
Carlo Acutis foi canonizado em 7 de setembro de 2025. Para padre Marcelo, o aniversário representa o encerramento de um caminho acompanhado pela comunidade local. O santuário dedicado ao santo passou a receber devotos de várias partes do País, incluindo pessoas do Pará, de Fortaleza e do Sul. Fiéis italianos também entram em contato em busca de orações, embora o corpo de Carlo esteja em Assis, na Itália.
Relatos de graças
O padre citou o caso de Alice, uma menina que enfrentava um problema ósseo grave na região da bacia e apresentou recuperação posteriormente. A documentação foi encaminhada ao Vaticano, que solicitou novos exames e analisou o caso como possível milagre para a canonização. A Igreja Católica, porém, reconheceu outro episódio: a recuperação de uma jovem da Costa Rica que sofreu grave traumatismo craniano após cair de bicicleta na Itália.
Elza Horácia, coordenadora da liturgia do Santuário São Carlo Acutis e Nossa Senhora Aparecida, também relatou o caso de uma bebê prematura que precisou ser entubada. Segundo ela, a família pediu a intercessão de Carlo e a criança deixou o hospital.
Paroquianos perceberam aumento no movimento desde a canonização. Adalto Lara Brandão, pedreiro de 60 anos que frequenta a comunidade há cerca de 25 anos, afirmou que os relatos e a presença de fiéis cresceram. A arquiteta Aretha Gomes, de 25 anos e paroquiana há cinco anos, também observou a chegada de pessoas interessadas na história do santo, em pedir graças e em agradecer.
Carlo Acutis nasceu em 1991 e morreu em 2006, aos 15 anos, vítima de leucemia. Apaixonado por informática, usava a tecnologia para divulgar conteúdos religiosos e reunir informações sobre milagres eucarísticos. Por sua relação com o mundo digital, ficou conhecido como o “santo da internet”.








