Augusto Cury (Avante), candidato à Presidência da República, colocou o agronegócio entre as principais propostas de sua campanha. Ele defende dobrar a produção brasileira de alimentos em oito a dez anos, ampliar o seguro rural para até 50% e criar 10 mil agroindústrias.
O candidato também propõe a instalação de pelo menos 100 usinas de etanol de milho, o fortalecimento da Embrapa e do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), além da atração de capital estrangeiro para financiar produtores, indústrias e comerciantes com juros menores.
Produção e seguro rural
A meta de dobrar a produção exigiria um ritmo maior do que o registrado nas últimas duas décadas. Nesse período, a safra brasileira de grãos avançou, em média, cerca de 5,8% ao ano. Para alcançar o dobro em dez anos, o crescimento anual teria de chegar a 7,2%. Se o prazo fosse reduzido para oito anos, seria necessário atingir 9,1% ao ano.
Cury afirma que o seguro rural deveria cobrir de 30% a 50% da atividade. Na avaliação dele, a agricultura está exposta às variações do clima, dos preços dos insumos, dos grãos, do câmbio e da geopolítica. O candidato também defende a revisão da forma como os recursos do Plano Safra empresarial são destinados, com mais atenção para o seguro e a manutenção do apoio à agricultura familiar.
Outra proposta é trazer pelo menos US$ 200 bilhões por ano de fundos soberanos estrangeiros. O dinheiro seria emprestado em dólar, com juros de 4% a 6% ao ano, enquanto os fundos receberiam um spread de 3% a 4% ao ano. Para Cury, a segurança jurídica e a proteção em dólar seriam necessárias para atrair esses recursos.
Embrapa, semiárido e agroindústrias
O candidato diz que pretende fortalecer a Embrapa e o IAC para ampliar a produtividade e transformar áreas do semiárido em polos de fruticultura, horticultura, agroindústria e proteína animal. A proposta inclui a participação de China e Israel em iniciativas voltadas à tecnologia para pequenas áreas e à otimização dos recursos hídricos.
Cury afirma que 12% do semiárido poderia ser convertido em áreas de produção. O plano também cita o Vale do Jequitinhonha, o norte de Minas e grande parte do Nordeste.
Na fruticultura, a meta seria elevar as exportações brasileiras para pelo menos US$ 10 bilhões. O país exporta entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,5 bilhão em frutas, enquanto o Peru exporta mais de US$ 7 bilhões, de acordo com os números apresentados pelo candidato.
Para ampliar o processamento, Cury propõe pelo menos 10 mil agroindústrias, principalmente microagroindústrias, além de empresas médias e grandes. Ele também defende unidades híbridas de etanol, capazes de processar milho nos períodos em que as usinas de cana ficam ociosas.
A proposta de produção de alimentos passaria de 350 milhões para 700 milhões de toneladas. No milho, o candidato afirma que o Brasil precisa dobrar a produção para aumentar a oferta de matéria-prima destinada ao etanol e à proteína animal.
Energia e financiamento
Entre as medidas para o setor de energia, Cury cita a criação de uma Secretaria de Bioenergia no Ministério da Agricultura e de um Ministério da Energia Renovável, que poderia funcionar dentro do Ministério da Indústria. Ele também defende investimentos em energia eólica, solar e hidrogênio verde.
Na área de crédito, o candidato afirma que dividiria o BNDES em dois na primeira semana: um banco voltado às microempresas e outro dedicado às grandes empresas. A meta seria financiar 10 milhões de microempresas nos próximos oito a dez anos.
Cury também relaciona o cenário financeiro dos produtores ao custo do crédito. Ele afirma que projetos do agronegócio podem ter lucratividade de 5% a 7% ao ano, enquanto o custeio chega a 20%. Para o candidato, essa diferença contribui para o endividamento e para o aumento dos pedidos de recuperação judicial no setor.
Ele classifica a situação como uma crise sem precedentes e diz que a agricultura vive um caos. Entre as medidas defendidas estão a criação de segurança jurídica, a atração de capital estrangeiro e um ambiente de negócios mais simples para os investimentos.







