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Amazônia pode enfrentar El Niño forte antes de concluir recuperação da seca

MapBiomas aponta alta exposição à seca, enquanto modelos indicam chuva abaixo da média e temperaturas acima do normal entre setembro e novembro.

Amazônia pode enfrentar El Niño forte antes de concluir recuperação da seca
Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A Amazônia pode enfrentar um novo El Niño antes de concluir a recuperação dos impactos das secas de 2023 e 2024. Modelos climáticos preveem chuva abaixo da média no bioma entre setembro e novembro, com temperaturas até 1 °C acima do normal. Há possibilidade de uma estiagem tão severa quanto ou mais intensa que a registrada em 2024.

Um levantamento do MapBiomas, rede colaborativa formada por universidades, ONGs e empresas de tecnologia, classificou 38% de 5.673 locais analisados na Amazônia como áreas de alta exposição à seca. O estudo também indicou que 93% das localidades estavam a até 5 km de regiões com redução da superfície de água.

Impactos ainda em recuperação

Durante a seca de 2024, a floresta enfrentou mortes de animais, redução do nível dos rios e dificuldades de abastecimento para comunidades dependentes do transporte fluvial. Entre setembro e novembro daquele ano, a chuva ficou 27% abaixo da média histórica, enquanto a temperatura máxima ficou 2,6 °C acima dela.

Para Bruno Ferreira, pesquisador da equipe Amazônia do MapBiomas e do Imazon, a recuperação da vegetação e do funcionamento dos ecossistemas ocorre de forma gradual. “A Amazônia chega a este próximo El Niño ainda em processo de recuperação dos impactos dos eventos anteriores”, afirmou.

A retomada dos níveis normais dos rios depende do ritmo e da quantidade de chuvas, como ocorreu em 2025. Isso, porém, não representa necessariamente a recuperação ecológica completa do sistema. A floresta ainda precisa recompor a umidade do solo, a vegetação afetada por queimadas e degradação e o funcionamento ecológico como um todo.

Possibilidade de seca mais intensa

A agência americana de oceanos e atmosfera NOAA indica mais de 90% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte nos próximos meses. Cientistas climáticos também consideram possível que o fenômeno esteja entre os mais intensos das últimas décadas.

A força do El Niño, isoladamente, não define a intensidade da seca na Amazônia. Também influenciam o resultado as condições do Oceano Atlântico e a umidade antecedente da região. Por isso, a estiagem pode ser tão grave quanto ou mais severa que a de 2024, mas o cenário depende da combinação desses fatores.

Menos vegetação e maior exposição

Nos últimos 41 anos, a Amazônia perdeu 53,9 milhões de hectares de vegetação nativa. Essa transformação da paisagem reduz a capacidade de resiliência do bioma e aumenta sua exposição a eventos climáticos extremos.

A combinação entre a perda de vegetação, as secas consecutivas de 2023 e 2024 e um novo período de estiagem torna mais difícil a recuperação dos ecossistemas amazônicos. Desmatamento, degradação, fogo, aquecimento e secas extremas atuam juntos e podem provocar perda gradual de resiliência.

Efeitos sobre outras regiões

A Amazônia participa do transporte e da reciclagem de umidade na América do Sul, contribuindo para a formação de chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste. Alterações no regime de precipitação do bioma podem influenciar a disponibilidade de água, as safras agrícolas e os níveis dos reservatórios em outras áreas do País.

Não é possível, porém, estabelecer uma relação direta entre a seca na Amazônia e os níveis dos reservatórios do Sudeste. A dinâmica dos reservatórios depende de vários fatores, principalmente das mudanças nos padrões de precipitação e da influência de outros fenômenos climáticos.

O El Niño também pode produzir respostas diferentes no território brasileiro. Enquanto tende a reduzir a chuva em grande parte da Amazônia, pode favorecer o aumento das precipitações no Sul e em partes do Sudeste.

Risco de perda de resiliência

O chamado ponto de não retorno está relacionado à perda de resiliência da floresta. Nesse cenário, mesmo com a redução ou interrupção dos vetores de degradação, partes da Amazônia poderiam não conseguir se manter como ecossistemas florestais com suas características ecológicas atuais.

Secas sucessivas e severas podem dificultar a recuperação dos ecossistemas e aumentar o risco de aproximação desse ponto. Quanto mais intensos e frequentes forem os impactos, maior tende a ser o desafio para a manutenção da resiliência da floresta.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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