O Dia Mundial da Alfabetização, celebrado em 8 de setembro, destaca os desafios vividos por alunos, professores e famílias durante o aprendizado da leitura. A data também chama atenção para a necessidade de respeitar as etapas de desenvolvimento e escolher estratégias compatíveis com a forma como o cérebro aprende.
A leitura depende de dois caminhos principais. Na rota fonológica, usada especialmente no início da alfabetização, a criança decodifica as palavras ao relacionar letras e sons. Como precisa juntar cada parte, esse processo tende a ser mais lento e exige esforço cognitivo e construção gradual.
Já na rota lexical, o cérebro reconhece a palavra visualmente e a identifica com rapidez, sem a necessidade de soletrar. A leitura se desenvolve de maneira eficiente quando esses dois caminhos funcionam em equilíbrio.
Sinais de dificuldade
A tentativa de acelerar a alfabetização, priorizando a memorização visual antes da consolidação da consciência dos sons, pode gerar insegurança diante de palavras novas. Nessa situação, a criança pode depender da memória visual e ter dificuldade para ler termos que ainda não conhece.
Entre os sinais de que o processo não está consolidado estão a capacidade de nomear letras isoladas sem conseguir unir os sons para formar palavras e a dificuldade para perceber rimas ou semelhanças sonoras. Esses indícios apontam para fragilidades na percepção dos sons da fala.
A leitura não surge naturalmente: é uma habilidade construída por meio de treinamento e adaptação cerebral. Por isso, a consciência fonológica ocupa papel central na alfabetização. Ela permite perceber que as palavras são formadas por unidades sonoras menores e manipular esses sons de diferentes maneiras.
Atividades com rimas, aliterações e exploração sonora ajudam a fortalecer essa base, favorecendo a construção da leitura e da escrita. Para Luciana Brites, psicopedagoga e psicomotricista, alfabetizar exige conhecimento, estratégia e compreensão sobre o funcionamento do cérebro durante a aprendizagem.







