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EUA colocam faixa de Mato Grosso do Sul em alerta máximo por guerra entre facções

Aviso cobre área de 160 quilômetros da fronteira com Paraguai e Bolívia; disputa por rotas de cocaína já deixou ao menos 100 mortos no ano.

EUA colocam faixa de Mato Grosso do Sul em alerta máximo por guerra entre facções
Foto: MPMS/Divulgação

O governo dos Estados Unidos elevou ao nível máximo o alerta de segurança para viagens a uma faixa de Mato Grosso do Sul, onde PCC e Comando Vermelho disputam rotas de tráfico de cocaína. A recomendação é que cidadãos norte-americanos não viajem para a área classificada como de risco.

O nível 4, chamado de “não viaje”, alcança uma faixa de 160 quilômetros a partir da fronteira do Brasil com Paraguai e Bolívia. A área inclui parte do sul e do oeste do estado, de Mundo Novo a Corumbá. Entre os riscos citados pelo governo norte-americano estão sequestro, violência armada, terrorismo e distúrbios civis.

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública mostram que Mato Grosso do Sul registrou 368 homicídios de janeiro a agosto deste ano, sem contar feminicídios. No mesmo período de 2025, foram 303 casos — uma diferença de 65 mortes violentas.

Disputa por rotas e avanço das facções

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, ao menos 100 mortes ocorridas neste ano foram causadas pela guerra entre as organizações criminosas. A disputa também alcançou o lado boliviano da fronteira, onde autoridades atribuíram às duas facções brasileiras ao menos dez homicídios nas últimas semanas.

No dia 3, uma operação do Ministério Público prendeu um integrante do Comando Vermelho acusado de divulgar uma lista com 24 pessoas marcadas para morrer por suposta ligação com o grupo rival. Dois nomes da lista foram assassinados dias depois. Em um dos ataques, morreu uma criança de 3 anos.

A nova fase do conflito começou no ano passado e se tornou mais violenta neste ano, de acordo com o promotor de Justiça Felipe Marques, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. PCC e CV disputam o comando de rotas usadas para escoar drogas que entram no Brasil pelas fronteiras com Paraguai e Bolívia.

Mato Grosso do Sul tem fronteira seca e posição estratégica para o controle territorial e das rotas de cocaína. O promotor afirma que o PCC manteve hegemonia no estado, enquanto o Comando Vermelho passou a expandir sua atuação a partir de Mato Grosso.

A estratégia atribuída ao CV inclui a tentativa de dominar cidades do norte do estado, como Sonora, Coxim, Cassilândia e Chapadão do Sul. Segundo Marques, perfis no Instagram e no TikTok foram usados para ameaçar pessoas ligadas ao PCC e moradores que não aceitaram a ideologia da facção.

Operações e controle territorial

Fora de São Paulo, Mato Grosso do Sul é o estado com mais integrantes do PCC, segundo o Ministério Público sul-mato-grossense. Há dez anos, desde a morte de Jorge Rafaat Toumani, conhecido como “Rei da Fronteira”, o grupo controla a rota tradicional do tráfico entre Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e Ponta Porã, no Brasil.

O Comando Vermelho tenta alterar esse domínio. Embora as lideranças tenham ensaiado uma trégua em maio de 2025, as disputas territoriais continuaram nas linhas de frente.

As forças policiais de Mato Grosso do Sul realizam ofensivas desde o começo deste ano. O secretário da Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, disse que o aumento dos crimes ocorre principalmente na divisa com Mato Grosso e no nordeste sul-mato-grossense.

A disputa também envolve Sonora, Paranaíba, Três Lagoas e Cassilândia, na divisa entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo. O Ministério da Justiça e Segurança Pública e o governo de Mato Grosso do Sul afirmam atuar de forma integrada contra o narcotráfico.

No mês passado, a Bolívia lançou o plano Fronteiras Seguras para combater a expansão de grupos criminosos estrangeiros. O ministro da Defesa da Polícia da Bolívia, Marco Antônio Ovieda, atribuiu o aumento da criminalidade à disputa entre PCC e CV. A medida prevê o aumento de polícias especializadas dos dois países nas áreas de fronteira.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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