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Saxônia-Anhalt pode eleger AfD em meio a desigualdades persistentes no leste alemão

Desconfiança sobre a imigração, nostalgia do passado comunista e diferenças econômicas ajudam a explicar a força do partido no estado.

Saxônia-Anhalt pode eleger AfD em meio a desigualdades persistentes no leste alemão

A possível vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) em Saxônia-Anhalt coloca o estado diante de um marco na política alemã. Se conquistar a maioria absoluta das cadeiras neste domingo, a legenda será a primeira de extrema direita a governar um estado do país desde 1945.

A explicação para o avanço passa por fatores econômicos, históricos e políticos que ainda diferenciam o leste do oeste da Alemanha, segundo Elisabeth Kaiser, comissária do governo federal para a região e deputada natural da Turíngia.

Desigualdade e memória da reunificação

A economia do leste recebeu investimentos desde a reunificação, e o desemprego ficou muito abaixo do pico registrado na década de 1990. Ainda assim, os governos não eliminaram as diferenças de riqueza, relacionadas principalmente a questões de herança.

As privatizações e a estagnação econômica após a reunificação deixaram parte da população associando as mudanças a experiências negativas. O êxodo ocorrido nas décadas de 1990 e 2000 também fortaleceu, entre os moradores que permaneceram, a sensação de abandono e invisibilidade.

Essa identidade política das antigas regiões comunistas continua influenciando o comportamento eleitoral. Kaiser também alerta para a idealização daquele período, conhecida como “Ostalgie”, ou nostalgia do leste. Entre eleitores mais velhos, o regime comunista pode ser lembrado pela sensação de segurança, embora essa estabilidade estivesse ligada ao controle e à vigilância.

A motocicleta Simson, símbolo da antiga Alemanha Oriental, foi usada na campanha de Ulrich Siegmund, principal candidato da AfD em Saxônia-Anhalt. Para Kaiser, o veículo era associado à liberdade porque permitia o deslocamento.

Imigração e discurso da AfD

O fechamento das fronteiras está entre as principais bandeiras da AfD e encontra apoio no leste. A proporção de moradores de origem imigrante é menor do que no oeste, e o contato histórico com estrangeiros também foi mais limitado.

Na antiga Alemanha Oriental, trabalhadores vindos de outros países socialistas eram mantidos em grande medida separados dos alemães orientais. Kaiser afirma que a região não era uma sociedade de imigração e convivia com um racismo forte, apesar do discurso oficial de amizade entre os povos.

A imigração, porém, é considerada essencial para a economia e os serviços públicos. Em Saxônia-Anhalt, um em cada cinco médicos é imigrante ou tem origem imigrante.

Na política externa, a AfD defende maior aproximação com a Rússia, posição que também encontra receptividade no leste, onde Kaiser identifica um antiamericanismo acentuado. O partido conservador do chanceler Friedrich Merz, por sua vez, pede o fim do “Soli”, sobretaxa criada em 1991 para reduzir as diferenças entre as duas regiões.

Kaiser avalia que interromper esses recursos reforçaria a postura de vítima adotada pela AfD. Para ela, o crescimento do partido deve funcionar como um alerta para o restante da Alemanha, embora a legenda ainda esteja longe de governar um estado no oeste.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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