MATO GROSSO DO SUL — O trabalho remoto permite que profissionais de Mato Grosso do Sul concorram a vagas em empresas de outros estados e de outros países sem deixar suas cidades. Entre os motivos citados estão a economia com deslocamento, o convívio com a família e a possibilidade de conciliar o emprego com a faculdade.
Em Coxim, Danilo Mota Filho, 21 anos, trabalha como engenheiro de software para uma empresa dos Emirados Árabes Unidos. A vaga surgiu no LinkedIn, depois de ele já ter atuado remotamente para companhias de Campo Grande e São Paulo. “Foi a primeira vaga que apareceu na minha timeline. Eu me candidatei e deu certo”, conta.
A empresa fica em Dubai. Para prestar o serviço, Danilo precisou abrir um CNPJ. Segundo ele, além da remuneração, continuar morando em Coxim e cursando a faculdade foram fatores importantes na decisão. Ele afirma que pode ganhar até o dobro na posição atual.
Em Campo Grande, Erickson do Nascimento, 37 anos, atua na Fintech do iFood. Profissional de desenvolvimento desde 2008, ele já conhecia a MoveliPay, empresa que depois passou a integrar a estrutura da companhia. Quando o trabalho remoto foi adotado, Erickson pôde se candidatar à vaga sem sair da cidade.
“Eu já tenho família aqui em Campo Grande. A partir do momento que eles abriram para essa possibilidade de remoto, fez sentido”, afirma.
Como disputar vagas remotas
Acompanhar o LinkedIn e outras plataformas de recrutamento é um dos primeiros passos para quem busca oportunidades fora da própria região. Também é importante manter o currículo atualizado e investir em qualificação.
Na área de tecnologia, Erickson destaca o inglês como uma exigência para quem pretende trabalhar com equipes internacionais. Para ele, não é necessário dominar uma linguagem rebuscada ou acadêmica, mas conseguir se comunicar e ser compreendido.
Efeito sobre as empresas locais
A possibilidade de disputar vagas em outras regiões aumenta as opções para profissionais qualificados e também interfere na contratação feita por empresas locais. De acordo com a analista de Gente e Gestão Joice Mertevic, empregadores precisam considerar salário, benefícios, tempo de deslocamento e a conciliação entre vida pessoal e trabalho.
Para ela, empresas que mantêm o modelo presencial podem precisar oferecer outros benefícios para atrair colaboradores. Os relatos mostram que o trabalho remoto permite construir uma carreira em companhias de outras regiões ou do exterior sem que o profissional precise mudar de cidade.








