LOS ANGELES — O puma identificado como P-22 viveu por uma década no Griffith Park depois de atravessar duas rodovias movimentadas de Los Angeles por volta de 2012. Cercado por concreto e asfalto, o parque se tornou uma área isolada para o animal.
A travessia das vias expressas na Califórnia pode ter ocorrido durante a busca por um novo espaço para caçar e viver longe de machos mais velhos, conforme a hipótese acompanhada por biólogos. Depois de chegar à região de Hollywood, P-22 permaneceu em uma área verde considerada pequena para as necessidades de um macho adulto.
Mesmo com espaço limitado, o puma conseguiu caçar pequenos mamíferos e sobreviver no local por 10 anos. A rotina, porém, envolvia riscos associados à vida urbana e à presença humana.
Riscos no ambiente urbano
Entre os desafios enfrentados pelo animal estavam a falta de fêmeas para acasalar e contribuir para a reprodução da espécie, o contato com raticidas espalhados em jardins e o barulho constante de sirenes e buzinas.
Também havia o risco de atropelamento caso P-22 tentasse retornar ao habitat nas montanhas. A possibilidade de cruzar novamente as pistas reforçava o isolamento do puma dentro do parque.
Um símbolo para a passagem de animais
A história do felino passou a ser usada por biólogos como alerta sobre o avanço das cidades sobre áreas de floresta. Com a expansão do asfalto, animais silvestres têm mais dificuldade para migrar entre diferentes áreas.
A presença de P-22 também se tornou um símbolo da campanha pela construção de viadutos verdes sobre as pistas. Essas estruturas, cobertas por vegetação, permitem que animais atravessem rodovias com menos exposição ao trânsito.
Resgate veterinário
Depois de quase 10 anos vivendo na área urbana, a saúde do puma piorou. O resgate veterinário interveio para encerrar o sofrimento do animal, finalizando a trajetória de um felino que sobreviveu isolado em meio ao concreto de Los Angeles.







